Quanto seus negócios são digitais?

Por Colaborador externo | 14.01.2016 às 08:07

Por David Goulden*

Não há mais nenhuma dúvida. A velocidade com que as informações críticas aos negócios são captadas, processadas e analisadas está maior do que nunca. Com o surgimento de sensores e da Internet das coisas, as informações são reunidas praticamente de qualquer lugar. Apesar da onipresença cada vez maior e da velocidade com que as informações são captadas e processadas, muitas empresas não estão preparadas para lidarem com essas mudanças nem para aproveitarem seus benefícios.

Independentemente da geração em que uma pessoa tenha nascido (pós Segunda Guerra, geração X e Millennials), na era da avalanche de dados, todos nós fazemos parte da Information Generation. E essa geração faz novas exigências às empresas diariamente, acelerando a transformação dos negócios digitais em todos os setores.

No varejo, empresas como a Zara e a H&M estão processando os dados dos clientes com novas e avançadas tecnologias de lógica analítica, que fornecem percepções para que elas se mantenham atualizadas e superem os concorrentes. Nos setores automotivo e de seguros, a nova tecnologia de telemetria apresenta informações que permitem aos gerentes avaliarem o comportamento dos condutores de modo mais específico do que antes e aplicarem essas informações à política de preços e ao design dos carros.

As caixas de som da Sonos e as raquetes de tênis da Babolat agora utilizam software para aprimorarem as experiências e fornecerem novos serviços aos clientes. Isso está acontecendo em empresas de todos os portes. Até mesmo um aplicativo chamado Next Glass está mudando a indústria de bebidas recomendando novas bebidas adaptadas ao nosso gosto com base na análise dos dados.

Essa transição dos negócios está sendo impulsionada pelas tendências da tecnologia de computação em nuvem, dispositivos móveis, Big Data, e mídia social e seu alcance está cada vez mais amplo. Como lidar com essa transição, tem gerado muita discussão entre os executivos de todas as empresas que visitei nos últimos meses. As empresas que não conseguem acompanhar o ritmo da mudança estão mais vulneráveis do que nunca. Elas se encontram na mesma situação que as editoras de mapas e atlas quando os fabricantes de smartphones começaram a disponibilizar o aplicativo GPS.

Você busca a inovação? Ou é a inovação que vem até você?

A EMC contratou recentemente o Institute for the Future e a organização Vanson Bourne para realizarem uma pesquisa com 3.600 líderes corporativos em todo o mundo. Eles deveriam identificar os atributos mais importantes e necessários ao sucesso das empresas na Information Generation nos próximos 10 anos. Os principais pontos comentados pelos líderes nessa pesquisa foram identificar novas oportunidades de modo preditivo e inovar de modo ágil. A pesquisa também perguntou a esses líderes o quanto eles acreditam que suas empresas estão preparadas em cada um desses pontos. As lacunas foram notáveis. Enquanto 62% dos pesquisados indicaram a identificação preditiva de novas oportunidades como muito importante para os negócios, apenas 12% acreditavam que suas empresas tinham essa capacidade. E apenas 9% acreditavam que suas organizações conseguiriam inovar de modo extremamente positivo e ágil.

A pesquisa também identificou três outros pontos necessários para competir nessa nova era digital: demonstrar transparência e confiança, fornecer experiências exclusivas e personalizadas e operar em tempo real.

As empresas que não atenderem a esses novos desafios correm o risco de parar suas atividades. Vale lembrar que quase 90% das empresas presentes na lista da Fortune 500 em 1955 não existem mais hoje; fecharam as portas nos últimos 60 anos. O ritmo das mudanças que esperamos ver em todos os setores nos próximos 10 anos será muito mais drástico do que vimos na última metade do século passado.

Tecnologias impulsionando o ritmo das mudanças

As novas tecnologias estão impulsionando o ritmo das mudanças. Por si só, a adoção da computação em nuvem, dos dispositivos móveis, das redes sociais e da tecnologia de Big Data feita pelas empresas não garantirá a sobrevivência de nenhum modelo de negócios. Eles são puramente ativadores. O Big Data e a lógica analítica podem ajudar uma empresa a identificar novas oportunidades de modo preditivo. A computação em nuvem pode ajudar as organizações a alcançarem mais pessoas e operarem com mais agilidade e eficiência. Contudo, está claro para nós da EMC, que uma empresa deve ter um plano para utilizar essas novas tecnologias como parte de uma nova estratégia de negócios digitais.

Veja o que a GE está fazendo com a tecnologia da Internet das coisas, que aproveita a computação em nuvem e a lógica analítica do Big Data. A GE é uma grande empresa americana que entende como as informações geradas por seus motores a jato com a tecnologia da IoT são um produto valioso por si só: um processo que transforma os motores a jato em geradores de dados massivos, ajudando os clientes da CE a usar esses dados para aprimorarem a confiabilidade, reduzirem custos e gerarem mais lucros.

A GE não é a única inovadora. Há dez anos, os cidadãos preocupados com a saúde colocaram em seus bolsos um contador de passos. Agora, os produtos da Fitbit nos conectam à nuvem e nos dão mais informações sobre a nossa saúde. Há 10 anos, o jeans era apenas um jeans. Hoje, uma parceria entre a Google e a Levi’s tem como objetivo desenvolver trajes interativos que funcionarão como uma plataforma de TI aberta.

A grande dúvida da próxima década é saber quantas empresas estarão prontas para seguir o exemplo da GE e de outras pioneiras na Information Generation para atenderem às novas exigências dos clientes.

*David Goulden é que é CEO de Infraestrutura da Informação da EMC.