Qualcomm quer negociar venda de suas operações com a Broadcom

Por Felipe Demartini | 26 de Fevereiro de 2018 às 12h35
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Depois de semanas de recusas e bravatas na imprensa, a Qualcomm se mostrou aberta a uma negociação com a Broadcom sobre uma possível venda. A proposta veio em uma carta assinada pela atual diretoria da fabricante, que pediu à interessada na compra que as duas sentem à mesa para avaliação do real valor de mercado de ambas, chegando a uma proposta mais adequada.

A sugestão vem após diversas negativas da companhia, que em novembro do ano passado recebeu a primeira proposta de compra indesejada por parte da Broadcom. Inicialmente, a Qualcomm rejeitou uma aquisição de US$ 103 bilhões. No início deste mês ela voltou a dizer "não" para uma proposta ainda maior, de US$ 120 bilhões.

Na ocasião, a Broadcom havia afirmado que essa seria sua oferta final e o valor mais alto que estaria disposta a pagar. E realmente cumpriu o prometido, pois, na sequência, reduziu a proposição para os US$ 117 bilhões, reduzindo o total pago por ação e aumentando a pressão relacionada aos papéis que já possui na fabricante de chips, o que dá a ela o direito de apontar membros da diretoria que podem ser favoráveis ao valor reduzido.

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É justamente diante disso que a Qualcomm quer chamar a Broadcom à mesa de negociações. A mudança na diretoria está marcada para acontecer no dia 6 de março, com a nomeação de 11 membros para o conselho da fabricante – eles serão independentes, mas a noção é que todos possuem um alinhamento com a gigante. A primeira medida dessa nova administração deve ser a cobrança por explicações quanto à recusa de embarcar no negócio, forçando a mão do restante dos dirigentes à aceitação pelo valor proposto.

No centro de toda essa questão está a compra da NXP Semiconductors NV, uma empresa que foi adquirida pela Qualcomm como forma de intensificar sua presença no mercado asiático. Para os executivos da fabricante do Snapdragon, a Broadcom não estaria levando em conta o impacto dessa aquisição – que ainda depende da finalização de um conturbado processo regulatório na China – sobre os negócios futuros.

Na última semana, como forma de atender a pedidos das autoridades da China, a Qualcomm aumentou a oferta pela NXP para US$ 44 bilhões. Foi justamente a ideia de uma operação mais custosa que levou a Broadcom a reduzir para US$ 117 bilhões a oferta feita pela fabricante de chips, levando em conta, também, os longos processos que a colocam contra Apple e Samsung na justiça.

Ainda, a Qualcomm acusa a Broadcom de não levar em conta os desafios regulatórios relacionados à fusão das duas, um negócio que levaria à criação da terceira maior fabricante de semicondutores do mundo. A empresa cita danos irremediáveis à sua saúde financeira caso toda a questão seja bloqueada pelas autoridades e sugere uma alternativa que também não caiu bem junto aos executivos da contraparte: o pagamento de uma multa de 9% de seu valor de mercado caso nada dê certo, ao contrário dos US$ 8 bilhões que haviam sido ventilados anteriormente.

Apesar das complexidades de um negócio que corre, em grande parte, a portas fechadas, o mercado reagiu de forma moderadamente positiva às novas informações. Antes da abertura do pregão desta segunda-feira (26), as ações da Qualcomm apresentaram alta de 3%, chegando a valer US$ 65,18 cada – um valor abaixo dos US$ 79 por cota oferecidos na oferta mais recente feita pela Broadcom.

Na somatória, permanece a incerteza. A abertura a negociações por parte da Qualcomm foi vista como um bom sinal por analistas de mercado, apesar de as recusas anteriores sinalizarem que a empresa pode não estar disposta a acatar o valor mais baixo proposto pela Broadcom. Acima de tudo, parece improvável a ideia de que tudo será resolvido antes da chegada de novos membros à diretoria, um fator que tornará o processo da possível fusão ainda mais hostil.

Fonte: Reuters

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