O crescimento do tráfego de dados e as oportunidades

Por Colaborador externo | 07.06.2016 às 17:20

Por Eduardo Carvalho*

Antigamente, as empresas capturavam, processavam e distribuíam seus dados automaticamente apenas em bases proprietárias. A informação era manipulada através de fitas e disquetes — você se lembra? Mas, então, surgiram as redes de dados e os computadores passaram a ser adotados por grandes companhias.

O que temos hoje é uma realidade bem diferente. Encurtamos todas as distâncias e temas como mobilidade, cloud computing e mídias sociais fazem parte do nosso dia a dia. Não só nas empresas, mas principalmente fora delas. Segundo o IBGE, em 2014, 95,4 milhões de pessoas, ou 54,4% da população com dez ou mais anos de idade, acessaram a rede pelo menos uma vez em um período de três meses.

E o acesso, inclusive, deixou de ser somente por desktop. Agora, podemos nos conectar em qualquer lugar a partir de dispositivos móveis. O Gartner diz que o tráfego de dados móveis pode atingir até 173 milhões de terabytes até 2018. Este consumo cresce rapidamente e é impulsionado por novos conceitos como Internet das Coisas (IoT na sigla em inglês). Ainda de acordo com a consultoria, serão cerca de 26 milhões de dispositivos IoT em ação no mundo todo até 2020.

O e-commerce impulsiona esse tráfego — em 2015, o comércio eletrônico brasileiro movimentou R$ 41,3 bilhões, segundo estudo realizado pela E-bit/Buscapé Company. Mas alguns eventos sazonais também aceleram o consumo de dados. Na Copa do Mundo de 2014, por exemplo, apenas no jogo do Brasil e Alemanha foram enviadas 35,6 milhões de mensagens no Twitter, segundo dados da própria rede. Nas partidas das quartas de final, o SindiTelebrasil apontou que o público postou 11 mil fotos por minuto durante os jogos.

Teremos agora as Olimpíadas no Brasil e o aumento no tráfego de dados será igualmente inevitável. No caso do Mundial, não tivemos apagões de dados, mesmo com o tráfego acima do comum. Precisamos repetir este sucesso, mas o cuidado com a infraestrutura de Tecnologia da Informação deve ser redobrado. O volume da troca de dados aumenta exponencialmente a cada ano e a infra do Mundial pode já não ser o bastante para suportar os Jogos Olímpicos.

O Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016 espera, por exemplo, que 85% da audiência aconteça por meio de dispositivos móveis. Pela primeira vez na história do torneio, o público terá acesso a mapas das arenas em 3D e poderá navegar pelas instalações olímpicas com o Google Street View. Imagine o quanto de infraestrutura isso não exigirá?

Os Jogos serão um verdadeiro desafio para empresas de TI — ainda no paralelo com o Mundial de 2014, devemos pensar que são 17 dias para 306 provas, com simultaneidade de cerca de 30 eventos. No caso da Copa do Mundo, foram apenas 3 ou 4 partidas que aconteceram ao mesmo tempo. As redes precisam funcionar com total redundância e alta capacidade de tráfego de dados. Caso contrário, a experiência dos usuários será limitada e, até mesmo, frustrante.

O Rio de Janeiro, sede dos Jogos, é considerado a cidade mais inteligente e conectada do país de acordo com o ranking Connected Smart Cities. Já é um primeiro passo. Entre os investimentos realizados que levaram o Rio a receber a premiação em 2015 está o Centro de Operações Rio (COR), que integra 30 órgãos no monitoramento, antecipação e atendimento a ocorrências na cidade. Ou seja, a infraestrutura de TI da região já está preparada. Mas e a sua empresa?

Os Jogos Olímpicos nos oferecem inúmeras oportunidades de negócios e, para agarrá-las, temos que nos estruturar. O Brasil é um país com bom mercado para o setor de TI, estamos em um ótimo momento nesta área — novas organizações, mais e mais pessoas conectadas, aumento no volume do tráfego de dados, eventos importantes para o mundo todo. Essa é a hora! Pense sobre isso e encontre o espaço da sua empresa neste mercado.

*Eduardo Carvalho é presidente da Equinix no Brasil.