Nova Alcatel-Lucent Enterprise começa operação no Brasil focando em nuvem e IaaS

Por Rafael Romer | 04.02.2016 às 16:32

A Alcatel-Lucent Enterprise (ALE) se prepara para um ano agitado no Brasil. Após ter concluído o processo de spin-off da Alcatel-Lucent, a ALE agora inicia oficialmente o seu primeiro ano como uma organização independente no país, com ofertas focadas exclusivamente no setor de soluções e serviços de comunicação corporativa.

Durante todo o ano passado, a ALE reestruturou suas operações região por região após a sessão da empresa com o grupo Alcatel-Lucent. O processo teve início em outubro de 2014, após a gigante chinesa de telecomunicações China Huaxin ter confirmado a aquisição da ALE, que até então era somente o braço enterprise da francesa Alcatel-Lucent, por € 202 milhões (cerca de R$ 870 milhões).

Agora, descolada do grupo Alcatel-Lucent, que em 2014 passava por um período turbulento de dívidas e cortes, a ALE tem um novo espaço para se expandir globalmente, atingindo tanto mercados de PMEs (Pequenas e Médias Empresas) quando organizações de nível Enterprise.

Para o Brasil, a expectativa parece ser um misto de cautela e atenção às oportunidades. De acordo com o Vice-Presidente de vendas da ALE para América Latina, Nuno Pires, 2015 foi um ano "flat" no país — fechado no azul, mas sem o crescimento experimentado pela Alcatel-Lucent nos três anos anteriores. Por isso, a empresa desenhou uma estratégia focada principalmente na expansão de negócios sobre a base atual de clientes e também na oferta de serviços de rede e nuvem para alavancar novos negócios.

"Dentro do que foi o mercado brasileiro no ano passado, nosso resultado foi excepcional. Fazer o spin-off de uma organização internacional no Brasil já é um desafio grande", comentou Pires. "Foi um ano duro, mas no resultado geral, foi positivo".

A empresa ainda está encerrando o processo de spin-off e não dá detalhes sobre expectativas de crescimento por razões contratuais. Ainda assim, o executivo revelou que a empresa apostará em um tripé de estratégias para continuar a expansão dos negócios no Brasil.

A primeira é crescer dentro da base de mais de 15 mil clientes que a empresa já tem hoje no mercado nacional, através do upsell e cross-sell de soluções. No ano passado, 80% dos negócios da empresa foram nesse modelo — só os 20% restantes se deram pela aquisição de novos clientes — tendência que deve continuar neste ano.

"Quando a gente está em uma situação complicada economicamente, de baixo investimento e quase recessão, o cliente precisa reduzir custo, então é ali que reforçamos a presença", afirmou. "Nós temos da ALE Brasil dois especialistas em busca de novos negócios, precisamos de marketshare, precisamos crescer a base, mas vamos encontrar o equilíbrio de acordo com o momento".

A segunda estratégia da empresa também tem como foco alavancar os atuais clientes da empresa no mercado nacional, mas através de novas ofertas de serviços de cloud no modelo pay-per-use.

Por fim, o setor de infraestrutura de rede deverá ser o terceiro grande foco da companhia no país, principalmente através do fornecimento de serviços neste modelo, que já está em funcionamento na Europa, por exemplo. A empresa está há quatro meses estudando detalhes para a logística de importação, taxas e manuseio dos equipamentos para o mercado brasileiro sem agregar novos custos para os clientes, mas ainda neste semestre deverá começar a ofertar as soluções de IaaS.

"Temos recebido a demanda de clientes pequenos, médios e grandes, para colocar infraestrutura como serviço", explicou o executivo. "A questão para o cliente é utilizar a verba de investimento versus a verba de custeio. Pode haver clientes para quem esse modelo não faça sentido, mas para quem tem um nível de utilização flexível, faz muito sentido".

No Brasil a empresa vê hoje um potencial em setores como governo, educação, saúde e hotelaria — com expansão grande em especial nos dois últimos. Ao lado do México, o país é atualmente um dos principais mercados da América Latina e, apesar da aceleração mais rápida de regiões como Chile e Colômbia, permanece como um dos focos mais importantes para a estratégia da empresa neste ano.