Microsoft confirma compra do GitHub por US$ 7,5 bilhões

Por Felipe Demartini | 04 de Junho de 2018 às 11h45

A Microsoft começou esta segunda-feira (04) oficializando a compra do GitHub, o principal repositório de códigos-fonte para desenvolvedores de softwares no mundo. A aquisição vai custar US$ 7,5 bilhões para a fabricante do Windows e dar a ela acesso a um ecossistema com 28 milhões de usuários e mais de 10 anos de história. A aquisição já vinha sendo ventilada na imprensa desde o final da última semana.

O valor será pago em ações da própria Microsoft, em um negócio que ainda depende de aprovação regulatória. Esse aval das autoridades, porém, deve vir nos próximos meses, com a expectativa de finalização da aquisição até o final deste ano. É o fim de um processo de aproximação que teria começado em 2016, com negociações interrompidas diversas vezes e retornadas outras tantas.

A compra, porém, não caiu tão bem junto à comunidade de desenvolvimento, que teme pelas mudanças que a companhia pode realizar sobre um serviço que operou, até então, de forma relativamente independente. O temor é, principalmente, quanto a atuação de concorrentes, uma vez que nomes como Google, Apple e Amazon também utilizam a plataforma para se conectarem à comunidade de desenvolvimento e disponibilizam seus trabalhos de código aberto para o mundo.

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A Microsoft, porém, garante que nada vai mudar. Ao comunicar a compra, a companhia disse que o GitHub deve continuar operando da forma como todos os desenvolvedores estão acostumados e de maneira completamente independente da estrutura de sua nova dona, garantindo que o mesmo ecossistema de criação, conhecimento e compartilhamento continue funcionando de maneira intocada.

Ao comentar o anúncio, a Microsoft afirma que a aquisição serve para intensificar seus esforços a favor da “liberdade, abertura e inovação” no mercado de desenvolvimento de software. A ideia, a partir de agora, é permitir que os produtores de aplicativos estejam cada vez mais preparados para os desafios que estão por vir.

Por isso, desde já a empresa faz questão de garantir que nada vai mudar. Em seu comunicado oficial, a Microsoft afirma que os produtores poderão continuar a usar qualquer linguagem, ferramenta ou plataforma para desenvolvimento, bem como publicar projetos que funcionem em qualquer dispositivo, nuvem ou sistema operacional, inclusive aqueles operados pela própria companhia.

Chris Wanstrath (esquerda), deixa gerência do GitHub, que vai ser assumida por Nat Fridman (direita). No centro, o CEO da Microsoft, Satya Nadella (Imagem: Divulgação/Microsoft)

Mesmo com o anúncio, porém, algumas mudanças gerenciais já foram anunciadas. O atual CEO do GitHub, Chris Wanstrath, deixa a gerência da companhia para se tornar um consultor técnico da Microsoft, trabalhando diretamente para o vice-presidente da empresa, Scott Guthrie, e em iniciativas de cooperação com desenvolvedores e estratégias relacionadas a software.

O cargo de direção no repositório, então, passa a ser ocupado por Nat Friedman, que até agora atuava como vice-presidente da Microsoft para o mercado corporativo. Ele tem experiência no mercado de desenvolvimento, com ênfase em código aberto, tendo sido o fundador da Xamarin, empresa de produção de aplicativos mobile que foi adquirida pela fabricante do Windows em 2016.

No comunicado, Wanstrath também demonstrou apoio à aquisição, afirmando que “o futuro do desenvolvimento de software é brilhante” e se tornará ainda melhor com o GitHub unindo forças com a Microsoft. Satya Nadella, CEO da companhia, reforçou esse entusiasmo, afirmando que a compra reafirma o compromisso de Redmond com o suporte aos produtores e à disponibilização de ferramentas para que eles possam executar seus trabalhos da melhor maneira possível.

A compra não deve gerar saldo negativo nos números da companhia. A Microsoft afirma que o dinheiro da aquisição virá de um saldo de US$ 30 bilhões, oriundo de uma recente recompra de ações, com um novo processo desse tipo sendo preparado para seis meses após a conclusão da transação com o GitHub. Os resultados do repositório, então, passarão a integrar o segmento de “Nuvem Inteligente” da empresa, contribuindo para os ganhos a partir de 2020.

Fonte: Microsoft

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