De olho no 5G, governo dos EUA aprova fusão entre T-Mobile e Sprint

Por Felipe Demartini | 06 de Novembro de 2019 às 15h15
The Wall Street Journal

Após mais de um ano de tentativas, negativas e discussões, o governo americano finalmente deu aval à fusão entre as operadoras T-Mobile e Sprint. O parecer da FCC (Comissão Federal de Comunicação, na sigla em inglês) não veio sem controvérsia, mas terminou de maneira positiva, com a união sendo considerada competitiva, diante do cenário dos grandes conglomerados de telefonia que existem nos EUA, bem como sendo vista como aceleradora da implementação do 5G no país.

O negócio, no valor de US$ 26,5 bilhões, foi anunciado originalmente no ano passado, mas desde então, vem enfrentando desafios regulatórios, obstáculos judiciais e processos movidos por diferentes estados americanos. Em todos os casos, o comentário é sempre o mesmo: o temor de que o controle da telefonia dos EUA por grandes conglomerados possam tornar o mercado dividido e com preços mais altos, enquanto empresas buscam apenas as fatias mais lucrativas entre os consumidores.

Tudo começou a mudar, entretanto, em julho, quando o Departamento de Justiça dos Estados Unidos aprovou a fusão. Especialistas do setor afirmam que esse aval deu confiança à FCC, principalmente com as propostas de mudança no negócio feitas pelo Judiciário, que envolvem a venda de marcas como a Boost, uma operadora menor, e da Dish Network, que fornece serviços de entretenimento via satélite. A expectativa é que esses nomes menores também se unam para criar uma nova opção de telefonia, ampliando a competitividade do setor.

Não é, entretanto, a visão de muitos comissários da FCC, que taxaram a morte destas companhias pequenas e sacramentaram o controle do mercado de telecom dos EUA nas mãos de grandes conglomerados. Geoffrey Starks, uma das mais atuantes opositoras ao negócio, aponta a Sprint como uma das maiores violadoras de regras de mercado da história dos EUA, com direito a mau uso de recursos públicos e manipulação de programas de incentivo à conectividade.

Preocupações surgiram, ainda, quando à atuação de Ajit Pai, diretor da FCC, que teria assinado a aprovação da fusão antes mesmo de o Departamento de Justiça elencar as recomendações que levaram ao aval. Outros comissários da agência colocaram em xeque a credibilidade do próprio órgão por conta disso, e pediram uma revisão dos termos e também da cadeia de comando da instituição.

Pai se defendeu, afirmando que a ideia de que menos empresas significa uma redução na competitividade é antiquada. De acordo com ele, a fusão entre Sprint e T-Mobile aumentará o número de opções para clientes em cidades pequenas dos EUA, enquanto a presença de grandes companhias significa a colocação do país na vanguarda da tecnologia, por meio de investimentos e maior poder de barganha.

Agora, a união enfrenta ainda mais desafios, com pelo menos 12 estados se opondo judicialmente ao negócio. A expectativa dos analistas de mercado é que, com a aprovação pelo FCC, uma análise posterior acabe arquivando muitas destas ações por conta dos termos acordados entre as gigantes e os reguladores, desde que, claro, os processos não sejam escalados à esfera federal. Com isso, a união, que era esperada para o primeiro semestre do ano que vem, pode acabar levando muito mais tempo.

Fonte: FCC, TechCrunch  

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