Faturamento internacional da Stefanini supera ganhos no Brasil em 2015

Por Rafael Romer | 14.12.2015 às 16:14 - atualizado em 14.12.2015 às 16:32
photo_camera Reprodução

O processo de internacionalização da empresa brasileira de software de serviços Stefanini pode registrar sua virada neste ano, com a ultrapassagem do faturamento vindo das operações internacionais superando o da matriz local, indicou o presidente da organização, Marco Stefanini, nesta segunda-feira (14) durante um evento para imprensa.

Segundo Stefanini, "pouco mais da metade" do faturamento da empresa já vem de fora, uma tendência que deve expandir ainda mais no país, pressionada pela perspectiva de redução de investimentos no setor de serviços de TI do mercado interno para 2016. No ano passado, a empresa registrou 40% do faturamento vindo das operações internacionais, que hoje já inclui 37 países.

"Apesar de termos muitos anos nesse processo de internacionalização, a gente deu um salto quando começou a fazer aquisições. Ter somente crescimento orgânico é muito difícil, a gente pretende continuar nesse caminho, com crescimento suportado também por aquisições", explicou o executivo.

Além do crescimento mais lento dentro do setor brasileiro, a aceleração de outros mercados também foi responsável pela virada no faturamento. Em 2015, a Europa foi a região que mais cresceu para a empresa, com uma aceleração de 20%. Excluindo o Brasil, a melhor operação da América Latina foi na Colômbia - país no qual Stefanini antecipou que a companhia deverá fazer uma "pequena aquisição" já em 2016.

Mesmo com desvalorização do real frente ao dólar, as aquisições internacionais ainda são uma possibilidade para a empresa já que a Stefanini hoje conta com um valor "razoável" em outras moedas com seus investimentos internacionais. "As próprias operações não precisam mais daqui, a gente descolou, elas têm vida própria", comentou Stefanini.

A empresa só divulgará seus resultados finais de 2015 em fevereiro, mas Stefanini antecipou que a entidade espera registrar uma receita global de R$ 2,6 bilhões - o que significaria um crescimento de 11% em relação ao ano anterior, que também cresceu 11% em relação a 2013, registrando um faturamento de R$ 2,35 bilhões.

Neste ano, uma nova operação foi iniciada em Singapura, país asiático com um dos maiores PIBs per capta do mundo e considerado um hub de negócios da região. Além de um escritório, a empresa abriu também um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento no país, focado em Analytics.

Apesar de pequena, a equipe em Singapura fará parte de um "anel de inovação" que deverá ser uma das estratégias da Stefanini em 2016. A iniciativa reunirá os quatro centros de P&D da organização pelo mundo - no Brasil, nos Estados Unidos, na Romênia e agora em Singapura -, que se comunicarão para o desenvolvimento de soluções que atendam cada um dos mercados no qual a Stefanini atua e respondam a demandas locais de negócios e culturais.

Futuramente, a expectativa é que Singapura se torne o centro das operações da empresa na Ásia, quando os negócios no continente estiverem grandes o suficiente para se descolarem do escritório norte-americano, em Detroid, a partir do qual são gerenciados atualmente. A Ásia é uma região importante para a visão de longo prazo da Stefanini, já que tem um mercado pouco desenvolvido do ponto de vista de maturidade de serviços de TI. No ano passado, a empresa já havia feito investimentos em times locais nas Filipinas e na Malásia, outros potenciais mercados da região.