Falta dinheiro para a inovação nos negócios de TI?

Por Colaborador externo | 28 de Novembro de 2016 às 15h15

*Por Edenize Maron, Diretora-Geral da Rimini Street para a América Latina

Um dos principais desafios do mercado de Tecnologia da Informação (TI) é a busca constante de inovação. A TI é a pedra fundamental da estratégia de negócios das empresas e o investimento crescente nessa área é muito importante para companhias que precisam adquirir novos sistemas, manter suas estruturas ou ampliar sua competitividade.

Mesmo com o recente desempenho ruim da economia do Brasil, o País encerrou 2015 como o sétimo maior país no mundo com o maior investimento em tecnologia, movimentando cerca de US$ 60 bilhões. Segundo estudo da ABES - Associação Brasileira das Empresas de Software produzido em conjunto com a IDC - International Data Corporation, esse montante equivale a um aumento de 9,2% na comparação com o ano anterior. Desses US$ 60 bilhões, 10% refere-se a suporte e manutenção anual pago para os fabricantes de software.

Diante desse gigante mercado, fica a pergunta: por que os líderes de TI clamam por mais recursos para atender às constantes demandas do negócio? Esses US$ 60 bilhões não são suficientes para suportar as inovações? Apesar das altas cifras, o que temos, na verdade, é muito dinheiro “novo” parado em velhas práticas de TI. Uma das categorias mais caras (com investimento de US$ 6 bilhões pagos anualmente) é a de suporte e manutenção de software.

Atualmente, no Brasil ainda se investe muito em legados – principalmente no custo total de manutenção para os sistemas ERP pagos aos fabricantes do software. Muitas vezes isso acontece por entender que os provedores do programa alavancarão a empresa para o mundo digital automaticamente. E isso não é necessariamente uma verdade por duas razões. O plano de desenvolvimento do fabricante nem sempre vai ao encontro da necessidade do cliente. Ou porque, comercialmente, o cliente é refém de cláusulas contratuais as quais não permitem a adoção de novas tecnologias Cloud a um preço justo. Nesse contexto, não há outra saída senão reavaliar o mercado e buscar alternativas.

Para 90% dos CEOs, a prioridade número um é investir em tecnologias que permitam uma melhor “customer experience” sem necessariamente ampliar o orçamento da TI. Além disso, os orçamentos estão mais enxutos decorrente da própria crise econômica que vivemos. O lado positivo dessa situação é que os gestores mergulharam no entendimento dos fatores que impactam seus orçamentos. Como resultado, identificam o que impede a aquisição de novas soluções, fundamentais para manter a longevidade e garantir o sucesso das empresas no mercado. Sem isso, as companhias correm o risco de perderem participação no mercado ou até mesmo deixarem de existir por estarem ultrapassadas. E a boa notícia é que não falta dinheiro. Ele simplesmente está alocado no lugar errado.

Mas como romper com o modelo tradicional e direcionar verbas para projetos inovadores que dão retorno financeiro ao negócio? Uma alternativa para remanejar esses recursos é a transferência do suporte e manutenção anual, tipicamente oferecida pelo fabricante de software, para um provedor independente. Esses recursos atualmente alimentam os fabricantes dos melhores softwares do mundo os quais não têm necessariamente DNA para prestação de serviços de excelência. Isso demanda uma interação diária com os usuários, para a qual eles não estão preparados. Ao terceirizar o serviço de suporte, os CIOs (Chief Information Officers) podem gerenciar melhor seus custos e realocar seus orçamentos em áreas de negócio mais estratégicas. É uma forma de ter fôlego financeiro e poder atender à demanda sem pleitear mais orçamento para 2017.

Infelizmente, os gastos com serviços de suporte e manutenção anuais continuam a alimentar o mercado brasileiro de software. Com uma mudança para o suporte independente, talvez esse investimento não vá para as mesmas mãos. Somente o tempo vai dizer.

Quando os gestores estão atentos às novidades do mercado de tecnologia, conseguem mais segurança para romper com os modelos antigos, alcançar a diminuição de custos e liberar recursos para inovação e para uma verdadeira transformação digital de suas empresas.

Diante de novas alternativas, salta aos olhos o uso de dinheiro novo em estruturas antigas. Organizações que buscam a transformação digital precisam evitar o desperdício de recursos com velhas práticas. Os orçamentos para 2017 já estão em desenvolvimento e o mercado já disponibiliza opções agora.

Com uma operação segura e mais econômica, o CIO terá a liberdade para adotar novas plataformas – como as soluções em nuvem, por exemplo – para compor uma TI híbrida, não importando qual seja o fornecedor. Esse é o caminho sem volta para se atingir a tão ambicionada transformação digital. O estudo da ABES e do IDC indica que, até o final desta década, haverá crescimento de 20% por ano na adoção de Cloud Computing, e o Brasil continuará a ser um dos maiores mercados consumidores de tecnologia do mundo.

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