Disrupção digital pode eliminar quase metade das empresas nos próximos 5 anos

Por Igor Lopes | 05.11.2015 às 10:18 - atualizado em 05.11.2015 às 18:48

* Em Cancún, México

Há pouco tempo, a ideia de um mundo real totalmente conectado à internet parecia algo vindo de um filme de ficção científica. Atualmente, este panorama já pode ser visto no horizonte e é só questão de tempo para que o alcancemos em sua plenitude. A novidade tem efeitos decisivos em mercados e indústrias, então é preciso ficar de olho para não ser deixado para trás.

A chamada disrupção digital, nome dado ao efeito das tecnologias digitais sobre modelos de negócios e posição de mercado de companhias e indústrias como um todo, é capaz de obrigar muitos a dar um passo adiante para continuarem a existir. Seu potencial para reformular negócios e engolir — ou impulsionar — iniciativas é o que faz deste um tema bastante sensível na atualidade.

Uma pesquisa divulgada recentemente pelo Global Center for Digital Business Transformation (DBT Center), uma iniciativa conjunta da Cisco com a IMD, revelou o impacto da disrupção digital nas indústrias. O estudo envolveu pesquisas junto a 941 líderes empresariais de 12 ramos diferentes em 13 países (Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, China, Estados Unidos, França, Índia, Itália, Japão, México, Rússia e Reino Unido) e traz resultados curiosos.

Indústrias sob ameaça

Uma das conclusões alcançadas pela DBT Center é que quatro das 10 principais empresas atuando em cada ramo de negócio investigado podem desaparecer nos próximos anos. O grande problema seria justamente a incapacidade que tais companhias apresentam para se adaptarem aos novos tempos da convergência digital e da Internet das Coisas.

A pesquisa patrocinada pela IMD e pela Cisco identificou que este tema (a disrupção digital) não é visto como digno de atenção entre os níveis mais altos das companhias em 45% dos casos, enquanto 43% são incapazes de identificar qualquer tipo de risco em relação ao conceito. Além do mais, um terço das empresas adota uma postura de “esperar para ver”, enquanto apenas um quarto das companhias admite uma postura mais proativa em relação à disrupção digital.

Ainda conforme o estudo da DBT Center, o setor que mais deve ver os efeitos deste conceito é o de tecnologia em produtos e serviços. Na outra ponta, a indústria farmacêutica deve ser uma das últimas a ser influenciada por ele. Contudo, o estudo alerta que todos os setores da indústria serão afetados, em maior ou menor medida, nos próximos cinco anos.

Uma espiral tecnológica

Para entender um pouco como a disrupção digital age, a DBT Center utiliza o exemplo de um vórtice, evento no qual tudo é forçado ao centro em uma espiral. Neste caso, o centro da figura é a digitalização e as indústrias estão deslizando até lá. Assim, para continuar existindo, será preciso estar pronto para este novo modelo de negócios.

A evolução da tecnologia nos leva a estar mais conectados e isso também tem impacto dentro de processos em companhias e indústrias como um todo. Assim, a disrupção digital já está impactando mercados e deve fazê-lo de forma ainda mais veemente dentro dos próximos anos.

Ao adotar modelos de negócios mais amigáveis a este ambiente, sugere a pesquisa da DBT Center, as companhias se tornam mais preparadas para minimizar os efeitos de uma concorrência que surge muitas vezes “do nada” oferecendo inovação.

* O jornalista cobre a Cisco Live a convite da Cisco.