Como empreender em tempos de crise

Por Colaborador externo | 04 de Junho de 2015 às 14h30

Por Mafrys Gomes*

Sonho para muitos ou sinônimo de liberdade e conquista pessoal para tantos outros, a possibilidade de iniciar um negócio próprio pode ficar mais distante num cenário de crise, certo? Não necessariamente, muitos negócios se iniciam diante da adversidade decorrente por exemplo, de uma perda de emprego ou diminuição de renda causados por uma crise econômica.

Empreender é parte do espírito do brasileiro e acreditar que ter o seu próprio negócio estão entre os principais motivos que levam a fazer com que o número da negócios próprios (formais e informais) cresçam a cada dia. Evidente que o surgimento de novas empresas é saudável para economia, e mesmo os negócios informais tem o seu papel no crescimento de renda das famílias, e sabemos que grande parte dos negócios surgem de maneira informal, e os motivos para isso são os mais variados, que vão desde alta carga tributária até o alto grau de burocracia existente no Brasil para que se constitua uma empresa.Para se ter ideia do quanto se empreende, no ano de 2014, de acordo com o Indicador Serasa Experian, foram criadas 1.865.183 novas empresas no Brasil. Ou seja, mais de 5.100 novas empresas por dia.

Nesse momento duas coisas podem ter passado pela sua cabeça: essa pesquisa está errada ou se estiver certa o Brasil tem quantos bilhões de empresas? Bom, se você pensou assim e para tentar te ajudar com esses dilemas esclareço alguns pontos, sem entrar muito na análise dos números da pesquisa e seus efeitos. Essa pesquisa não está errada, ela apenas aponta o número de empresas que surgem e não leva em conta as que permanecem vivas após os primeiros anos de vida.

De acordo com outra pesquisa, agora a Causa Morti,s O sucesso e o fracasso das empresas nos primeiros 5 anos de vida, do SEBRAE, os negócios que fecham suas portas nos primeiros anos foram em sua grande maioria mal administrados, por exemplo 39% não sabiam qual era o capital de giro necessário para abrir o negócio, 61% não procuraram ajuda de pessoas ou instituições para a abertura, 50% não determinaram o valor do lucro pretendido, 42% não calcularam o nível de vendas para cobrir custos e gerar o lucro pretendido… enfim, informações imprescindíveis para alguém que quer empreender.

Bom, espero não ter te levado a pensar: se esses dados referem-se a anos em que a crise ainda não batia a porta, então esse ano é melhor nem arriscar. Não é verdade, pois em um cenário de crise as oportunidades para empreender ainda existem e podem ficar até mais atraentes, desde que você planeje bem o seu negócio e tome cuidado com algumas “ciladas” do mercado.

Acredito que dois são os passos importantes para que o seu negócio possa prosperar mesmo num cenário adverso. O primeiro passo para ter sucesso em seu negócio próprio é: qualifique-se, pois o seu negócio terá o seu modelo mental e durante muito tempo todas as decisões serão tomadas por você. Se você pensa em abrir uma loja de doce por fazer os mais fantásticos doces, lembre-se que você também será responsável por calcular o breakeven, a margem de contribuição, a reposição de estoques e ainda pagar o aluguel no final do mês.

Como saída a esse primeiro desafio te recomendo inicialmente procurar um bom curso de graduação ou pós-graduação nas áreas de negócios, como Administração, Ciências Contábeis, Gestão Financeira e Gestão Estratégica. Entretanto sei que existem alguns fatores que impedem que esse importante passo seja tomado, a começar pela própria “urgência” em se começar o negócio e a oportunidade que às vezes bate à porta.

Mesmo nesses casos recomendo que você procure uma instituição séria como o SEBRAE ou uma Universidade e busque cursos rápidos ou informações que possam lhe ser úteis nesse início. Em seguida procure dar o segundo passo que seria o curso de graduação ou pós-graduação numa dessas áreas.

Num cenário de crise apenas os organismos mais qualificados tendem a permanecer enquanto que os menos qualificados são facilmente levados pela crise. Não se esqueça que no início você é praticamente a totalidade do capital intelectual de seu negócio. Cenário de crise, escasez de recursos, crédito caro e economia desacelerando vão exigir de você uma capacidade acima da média para que o seu negócio cresça (enquanto muitos diminuem).

Outro passo que julgo importante para o sucesso do seu negócio é: Qualidade. Na crise, o recurso é ainda mais escasso, o consumidor vai procurar gastar pouco e consumir com qualidade. Poderíamos devagar sobre qualidade por muitos caminhos, mas o ponto que gostaria de abordar é somente o mais lógico. Você terá de garantir que o seu produto é bom o suficiente para competir com tantos outros que já estão no mercado e ainda assim ter um diferencial que possibilite o crescimento de sua empresa. Por conseguinte é de se imaginar que para isso ele terá de ser melhor do que o que já existe no mercado.

Como garantir qualidade no meu negócio? Esteja apto a identificar gargalos, sanar problemas e garantir que o produto chegue ao teu cliente dentro daquilo que ele imaginou ou, se possível, superando suas expectativas. Dessa forma, o seu produto dificilmente cairá na lista de supérfluos.

Portanto a saída para momentos de crise não é excesso de coragem. Cuidado, o mercado está difícil, não seja um destemido sem causa, o segredo é estar qualificado e preparado para superar a crise, se você conseguir isso nesse momento, quando chegar o momento mais calmo, você estará muito forte para competir num mercado mais atrativo - o que possibilitará pensar na parte mais nobre do negócio próprio, como liberdade e conquistas pessoais.

*Mafrys Gomes é coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Anhanguera de São Caetano

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