China intima embaixadores dos EUA e Canadá após prisão de executiva da Huawei

Por Felipe Demartini | 10 de Dezembro de 2018 às 12h23
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O governo chinês intimou os embaixadores dos Estados Unidos e Canadá a comparecerem diante do ministério das relações exteriores do país, em Pequim, como forma de protestar contra a prisão da vice-diretora da Huawei e exigir sua soltura imeditada. Meng Wanzhou foi detida em Vancouver no dia 1º de dezembro e é acusada de fraude, enfrentando um processo de extradição para os EUA e uma pena de 30 anos de reclusão.

Nos encontros com os dois representantes, o ministro das relações exteriores da China, Le Yucheng, exigiu a soltura da executiva e a tomada de ações rápidas para corrigir práticas como estas, que seriam nocivas aos direitos dela, enquanto cidadã, e também aos interesses do povo chinês. As reuniões aconteceram ao longo do último final de semana e teriam os Estados Unidos como principal alvo, uma vez que é lá que Wanzhou enfrenta as acusações.

Para o ministro, os americanos violam a soberania nacional chinesa e tomam atitudes drásticas contra a acusada e também contra toda a nação asiática. Yucheng faz um ultimato: ou o país repara seus erros interrompendo o processo contra a executiva e toma atitudes para libertação de Wanzhou, ou “respostas adicionais” serão dadas pela China ao governo americano.

A prisão da vice-diretora da Huawei surge em um momento delicado, no qual os dois países se encontram em pé de guerra no campo fiscal. O cessar fogo veio na última semana, quando os presidentes Donald Trump e Xi Jinping concordaram em não imporem novas tarifas sobre produtos importados e exportados pelos próximos 90 dias, enquanto resolvem suas diferenças e tentam chegar a um acordo final. O caso envolvendo a filha do fundador de uma das principais empresas de tecnologia da China, entretanto, é um grande dificultador nesses esforços.

Wanzhou é alvo de uma investigação do governo dos EUA desde abril deste ano envolvendo o fornecimento de tecnologia a países inimigos, como a Coreia do Norte e o Irã. A Huawei teria utilizado uma empresa de fachada para mascarar esses negócios, enquanto, desde o começo da investigação, a executiva estaria evitando viagens ao país, sob orientação de seus advogados. Ela foi detida durante uma escala no Canadá, em uma viagem que fazia de Hong Kong ao México.

Nesta semana, a vice-diretora da Huawei deve comparecer diante dos tribunais para uma audiência que decidirá sobre a aplicação ou não de fiança a seu caso. O governo dos EUA pede que o Canadá não atenda aos pedidos da defesa e inicie o processo de extradição da executiva por acreditar que há risco de fuga caso ela seja libertada.

Em nota oficial, a Huawei disse não ter conhecimento de qualquer irregularidade cometida por Wanzhou e que os governos dos Estados Unidos e Canadá não enviaram informações consistentes sobre as acusações de fraude. No passado, a fabricante também já havia negado veementemente a realização de negócios com países como o Irã e a Coreia do Norte.

Fonte: Associated Press

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