Amdocs quer alavancar a transformação digital em operadoras com CES 10

Por Rafael Romer | 18.04.2016 às 12:20

De Orlando, Flórida*

As operadoras de Telecom passam por um momento delicado: ao mesmo tempo que o aumento pela demanda de dados e de velocidade de conexão exigem investimentos, desafios como os serviços over-the-top, exigências regulatórias e o novos padrões de consumo dos chamados "millennials" continuam a pressionar as receitas tradicionais desta organizações.

De olho nessas mudanças, a empresa de sistemas de telecomunicações Amdocs apresentou em fevereiro, durante o Mobile World Congress (MWC), em Barcelona, a nova versão de seu portfólio de soluções de experiência do cliente, o CES 10, focado em auxiliar provedores de serviços do setor pela jornada da transformação digital através de pilares como o uso de dados, a agilidade da entrega de serviços, digitalização e a diversificação de negócios.

"Nosso trabalho atualmente é pegar toda a complexidade e escondê-la do consumidor, para que operadoras possam entregar um serviço simples, ágil e em tempo real. E do nosso lado, nós queremos ajudá-los com sistemas e soluções para gerenciar essa complexidade da maneira mais eficiente", comentou Shuky Sheffer, presidente da divisão de Customer Business da empresa, durante a abertura do Amdocs Americas Summit, realizado na semana passada em Orlando, Flórida.

Um dos pontos centrais da transformação proposta pela empresa está no "empoderamento de dados" — ou o uso efetivo das amplas bases de dados geradas pelas operadoras para a construção de ofertas e serviços mais atraentes para consumidores modernos. No centro da estratégia, está a solução Data Hub do portfólio CES 10, baseada em tecnologias escaláveis de big data e que permite que empresas extraiam, processem e visualizem grandes volumes de dados para a tomada de decisões de negócio baseadas em dados analíticos.

Shuky Sheffer

O presidente da divisão de Customer Business da empresa, Shuky Sheffer, durante a abertura do Amdocs Americas Summit (foto: Rafael Romer/Canaltech)

Outra área de transformação intensa atendida pelo sistema CES 10 é a de contato com o consumidor, por meio da solução Omnichannel do portfólio. O objetivo aqui é permitir que operadores desenvolvam uma capacidade linear de atender seus clientes em múltiplas plataformas, mesmo que a jornada do usuário comece e termine em plataformas diferentes.

O foco na jornada do consumidor é um dos pontos de investimentos mais importantes para a Amdocs atualmente, frente ao grande desafio de engajamento que operadores têm com clientes jovens. Um levantamento encomendado pela própria Amdocs e divulgado durante o evento, indicou que apenas 12% dos jovens entre 15 e 18 anos afirmam que operadores de telecomunicações atendem às suas expectativas com serviços que combinem com seus estilos de vida — em grande parte por enfrentarem demandas não atendidas de planos mais flexíveis e diferentes dos consumidores tradicionais.

"O ponto-chave é que estamos suportando digitalização no back end e no front end com a mesma plataforma", explicou Shannon Bell, vice-presidente da divisão de gerenciamento do consumidor da Amdocs. "Nós temos os dados do consumidor, podemos entender a relação de cada consumidor com os serviços e podemos entregar isso em todos os canais. Então um consumidor pode começar a transação online, continuar na loja, e será possível ter toda a informação da jornada a qualquer momento".

O portfólio de serviços mira ainda em novas possibilidades de monetização para operadores, que têm seus orçamentos cada vez mais comprimidos pela mudança do modelo de consumo de usuários e pelo aumento da competição dos serviços over-the-top.

De acordo com a empresa, uma das áreas de maior oportunidade é a da Internet das Coisas (IoT), um setor que deve se expandir consideravelmente nos próximos anos, mas que ainda não oferece muitos modelos de engajamento com o consumidor.

Para alavancar os mercados B2C e B2B deste setor, a empresa está trabalhando em uma solução para ativação de novos dispositivos de IoT que permitirá que consumidores incluam em uma conta unificada qualquer novo gadget conectado adquirido.

A ideia, por exemplo, é que uma pessoa possa comprar um novo smartwatch ou smartband de um OEM qualquer e ativar sua conectividade a partir do próprio NFC de um smartphone, "logando" o novo gadget em uma conta com sua operadora móvel. O plano é que o modelo permita um compartilhamento de receita entre operadoras e parceiros de hardware, ajudando a alavancar o mercado em expansão da Internet das Coisas.

*O repórter viajou a Orlando à convite da Amdocs.