Airbus vê "incerteza" no mercado de jatos executivos, mas aposta no longo prazo

Por Rafael Romer | 12 de Agosto de 2015 às 09h07
photo_camera Divulgação

A fabricante francesa de aeronaves Airbus vê um momento de "incerteza" global para seu negócio de jatos executivos, mas continua a apostar na América Latina como um mercado de potencial a longo prazo.

"Hoje há um elemento de incerteza em todo o mundo, na China, no Brasil, até na Europa", explicou ao Canaltech o diretor de marketing da Airbus Corporate Jets, David Velupillai. "O bilionário, mesmo que continue bilionário e possa comprar um jato se quiser, pelo momento de incerteza, poderá esperar por mais um ou dois anos até as coisas melhorarem".

Apesar de representar uma fração pequena do número total de vendas da companhia, a linha de aviões executivos hoje é um negócio importante para a Airbus pelo seu potencial mais alto de lucros. No ano passado, por exemplo, a Airbus entregou cerca de 630 novas aeronaves para linhas aéreas, contra "menos de dez" jatos executivos. Ainda assim, o valor da venda desses jatos se aproximou de US$ 1 bilhão.

"Há uma margem maior, porque quando você compra um avião de linha, você compra em quantidade e consegue um desconto por volume. Nos jatos corporativos, vendemos por unidades", afirmou Velupillai.

Na América Latina, a Airbus aposta que o mercado tem um bom potencial pelo crescimento no número de bilionários na região, o que deve aumentar o número de clientes potenciais por aqui. A empresa cita um levantamento da Ledbury Research que indica que o número de bilionários na América Latina chegará a 580 até 2017 - em 2012, eram 450. O crescimento também será significativo no Brasil e a expectativa é que 240 destes bilionários sejam daqui.

Os bilionários representam apenas um dos três potenciais mercados para os jatos executivos da empresa - os outros são grandes empresas e governos. Apesar da "incerteza", Velupillai indica que a Airbus ainda continua investindo em demonstrações para potenciais clientes, na expectativa que as decisões de compras sejam apenas adiadas. Ainda assim, a empresa decidiu não participar este ano de um dos maiores eventos do setor de jatos corporativos na América Latina, a Labace 2015, que acontece nesta semana em São Paulo. "É um negócio de longo prazo. Hoje estamos em uma incerteza, mas o mercado vai se recuperar", afirmou o executivo.

Em maio, a companhia revelou sua nova família de aeronaves executivas ACJ Neo (New Engine Option), que inclui os modelos ACJ319neo e ACJ320neo. O ACJ319neo é o menor da família, com capacidade para oito passageiros e alcance de até 12,5 mil quilômetros, ou 15 horas de voo. Já o ACJ320neo tem autonomia de até 13 horas no ar e alcance de 11,1 mil quilômetros, com capacidade para carregar até 25 passageiros.

Entre as tecnologias integradas às aeronaves, está o sistema fly-by-wire, que tem se tornado um novo padrão da indústria aeronáutica e começa a desembarcar também em modelos executivos. O sistema substitui todo o cabeamento físico das aeronaves que até hoje era responsável pelo controle de voo por comandos digitais e sem fio, o que torna a aeronave muito mais leve.

Outro sistema opcional é o Runway Overrun Prevention System (ROPS), que utiliza o posicionamento global da aeronave em conjunto com informações sobre a pista do aeroporto de destino para indicar ao piloto se a aeronave corre ou não o risco de ultrapassar a pista durante o pouso, mesmo em condições meteorológicas ruins, como vento forte ou baixa visibilidade.

Os aviões incluem também a tecnologia On-Board Airport Navigation System (OANS), uma espécie de GPS para ajudar aviões em solo durante o período de taxiamento dentro dos aeroportos, evitando, por exemplo, que o piloto entre na pista de decolagem errada em grandes aeroportos.

As primeiras entregas dos ACJ320neo e do ACJ319neo devem começar a partir do quarto trimestre de 2018 e o segundo trimestre de 2019, respectivamente.

Inscreva-se em nosso canal do YouTube!

Análises, dicas, cobertura de eventos e muito mais. Todo dia tem vídeo novo para você.