A importância da organização financeira no combate à corrupção corporativa

Por Colaborador externo | 31.05.2016 às 06:13

Por Adão Lopes*

Infelizmente vivemos em uma época em que a corrupção está em toda parte. Para aqueles que acreditam que ela se limita a nossas esferas governamentais, ou a grandes empresas envolvidas em esquemas milionários, só posso dizer que não podiam estar mais enganados.

A corrupção está instalada como um câncer na sociedade brasileira. É no “jeito malandro”, no “jeitinho”, no “não devolver um troco errado”, e é claro, na sonegação de impostos. São nessas coisas cotidianas e procedurais que se encontra a raiz da corrupção.

É o cidadão comum que começa um processo que cresce exponencialmente até as esferas nacionais. Parece que a noção de que “os políticos roubam” é um motivo mais do que plausível para se sonegar, para se aproveitar de uma brecha, para deixar passar alguma irregularidade. Bom, não é um bom motivo. Nem um pouco.

Tirando as situações onde isso pode ter efeitos catastróficos, como obras que ferem civis quando se mostram mal realizadas, ainda temos problemas financeiros que vão tomando proporções cada vez maiores, até que de repente a empresa cai em alguma fiscalização e centenas de pessoas ficam desempregadas. O problema é sistêmico.

Essa semana eu li que foi realizada uma pesquisa pelo grupo Gallup que aponta que a corrupção é uma epidemia mundial, já que dois em cada três adultos ao redor do globo acreditam que atividades fraudulentas estão difundidas nas corporações de seus países. A pesquisa constatou que 60% dos residentes dos Estados Unidos e do Canadá consideram a corrupção algo comum, enquanto que, em países em desenvolvimento, os percentuais são mais altos, chegando a 76%. No Brasil, esse índice é de 73%.

E o que a pesquisa apontou como solução? Leis mais severas e sistemas que privilegiem a transparência.

Trabalhando há tantos anos com documentação eletrônica, eu sempre fui um dos maiores defensores do gerenciamento eletrônico de notas ficais e outros documentos necessários para trabalhar qualquer tipo de empresa. O uso da tecnologia mostra um progresso para a sociedade. O uso dessas ferramentas obriga o empresário a um controle mais crítico e sem erros, de todos os seus processos.

Ao usar um documento eletrônico, uma empresa torna seus processos mais transparentes, garante a seus fornecedores e clientes, que não apoia esquemas corruptos e contribui para uma educação social e empresarial.

A crise econômica e financeira que vivemos hoje é apenas o impacto da bola de neve que vem descendo o monte desde anos e anos de corrupção corporativa instalada em toda a economia global. O Brasil deve se orgulhar de usar sistemas tão modernos e que abraçam uma mudança de postura, como o gerenciamento de impostos feito de forma digital.

As fraudes estão em diversos níveis da cadeia alimentar corporativa, mas a tecnologia tem nos proporcionado a chance de corrigir esses erros. Temos a chance de ser um país que começa a corrigir suas políticas e até seu modo de pensar.

Aos poucos é possível construir uma economia que não esteja fadada ao colapso por negligência ao longo de anos. Já está mais do que na hora de aproveitar as possibilidades ofertadas pela tecnologia e abraçar uma das posturas de que realmente devemos nos orgulhar em nosso país.

A cultura do crime oficialmente permitido tem que acabar. O problema começa com pequenas mostras de corrupção que cresce para a nossa política do “rabo preso”, o que origina a máfia que toma conta do país nos altos gabinetes.

Eu acredito que podemos mudar, mas essa atitude deve começar no pequeno, e ir se expandindo e curando o sistema. Pode demorar, mas quanto mais abraçamos aliados como a tecnologia começando como pequenos empresários honestos, mais e mais chegaremos às esferas superiores.

*Adão Lopes é mestre em tecnologia e negócios eletrônicos e CEO da VARITUS BRASIL.