Weg: empresa vence resistência interna de TI e promove virtualização

Por Rafael Romer | 04 de Outubro de 2013 às 13h45

A cultura interna de TI, por muitas vezes, é tida como um dos principais motivos da não adoção de novas tecnologias dentro de empresas. Principalmente quando a companhia não atua próxima ao setor da tecnologia, a falta de conhecimento sobre a implantação, funcionamento e operação de novas tecnologias leva parte considerável dos tomadores de decisão a adiar esse tipo de novidade, exigindo um trabalho constante de convencimento para adoção de TIs.

Esse foi o caso da Weg, empresa brasileira do ramo de motores elétricos e tecnologia, que começou o processo de virtualização em 2004 e, neste ano, deve inverter o número de servidores físicos e virtuais pela primeira vez. "A Weg traduz todos os benefícios que a tecnologia traz em número de motores, é a razão dela existir, então a gente teve que transformar isso em reais", brinca Edson Habowsky, Gerente de Projetos de TI da empresa.

Fundada há 53 anos em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, a empresa matriz nasceu no ramo de motores elétricos, mas expandiu muito sua atuação no decorrer dos anos. Com mais de 26 mil colaboradores em 28 países diferentes, a multinacional é atualmente a empresa com a maior planta de produção de motores elétricos do mundo e já atua em setores como geração de energia, aplicações para usinas hidráulicas e eólicas, automação, transformadores e tintas industriais.

Para suportar as demandas atuais da empresa, a Weg possui hoje a infraestrutura de um datacenter próprio, localizado na matriz catarinense, composto por 285 servidores e mais de 460 TB de capacidade de armazenamento. No total, são cerca de 212 colaboradores de TI garantindo a disponibilidade da infraestrutura que serve cerca de 15 mil usuários. Atualmente, a empresa utiliza um sistema integrado de gestão empresarial (ERP) SAP em parte dos países em que atua, mas ainda possui regiões que utilizam o sistema legal BAAN e outras, menores, que utilizam outros sistemas de gestão próprios. "Todo planejamento, toda estratégia é centralizada no data center em Santa Catarina", explica Habowsky.

De acordo com Habowsky, o processo de virtualização da Weg foi um longo caminho de convencimento da TI e da empresa de que o ambiente traria benefícios e apoiaria a expansão da companhia. Tudo começou em 2004, quando a empresa deu início ao projeto embrionário de virtualização com o Microsoft Virtual Server, com objetivo de experimentar a tecnologia que começava a ganhar espaço. "Era uma forma de agilizar um pouco nossos laboratórios", explica o gerente de TI, que afirma que a tecnologia ainda era vista como muito "incipiente". "Era uma tecnologia nova por excelência, não tinha muitos cases. "Para brincar, até que dava", brinca. O ambiente virtualizado era constituído de apenas um servidor de 12 máquinas virtuais (VMs) e incluía laboratórios como AntiVírus, Lap Proxies, aplicações satélites e testes de serviços de infra.

Em 2006, com o surgimento de alguns cases de mercado, a Weg deu os primeiros passos para um ambiete profissional de virtualização, virtualizando mais um servidor, com 18 VMs, que passou a ser utilizado pela equipe de desenvolvimento e produção web da empresa, com aplicações como a Intranet. "A gente chegou a colocar um sistema de produção intranet, mas o objetivo principal era só desenvolvimento". Por conta das demandas e pela internacionalização da Weg, a empresa adotou a virtualização em alta disponibilidade de algumas aplicações internas a partir de 2008, com a virtualização de três servidores, com 32 VMs. "Ainda éramos um pouco tímidos no uso de tecnologias", explica. "Mas o mercado começou a falar mais dessa tecnologia, muitos cases apareceram. A Weg começou a ver os benefícios".

Com o avanço dos cases de ambientes virtualizados e pressão interna, a companhia deu o próximo passo em 2010, com mais uma ampliação para seis servidores e 42 VMs por aumento de demanda. "Essas demandas vêm aos trancos, vêm nos consumindo, e a virtualização passou a nos ajudar a atendê-las", explica o gerente. A expansão de 2010 incluiu, pela primeira vez, aplicativos mais críticos da Weg, como gerenciamento de chão de fábrica, sistemas de apoio à engenharia da empresa e até bancos de dados. Todos os servidores web e serviços de internet também foram virtualizados.

Com a adoção da infraestrutura de desenvolvimento e QA SAP, 2012 teve uma última expansão para oito servidores virtualizados e cerca de 98 VMs. "Isso causou uma quebra de paradigmas dentro do conceito entre os colaboradores de TI sobre essa tecnologia. Com certeza mudou a foma de pensar", diz o gerente.

Agora, para 2013, a empresa já começou a implantação de uma transformação de TI e de renovação tecnológica, com a virtualização de 49 servidores – o que vai inverter a proporção de servidores físicos e virtuais da empresa pela primeira vez. Atualmente, a infraestrutura da Weg é 60% composta por servidores físicos e 40%, virtualizados. De acordo com Habowsky, a empresa também planeja agora um projeto de VDI e um plano para o desenvolvimento de uma nuvem privada dentro da Weg. "Agora todas as novas demandas, novos projetos, primeiramente terão disponibilização em ambiente virtual. Depois, se tiver alguma necessidade específica, a gente faz a avaliação de uma aquisição física", conta.

Para garantir a segurança e o crescimento global da empresa, a Weg também desenhou há alguns anos um plano de renovação de TI para construir um segundo datacenter, saparado do edifício fabril da empresa – onde atualmente se encontra a infraestrutura de dados atual. O novo edifício abrigará também toda a equipe de TI da empresa e funcionará como redundância do primeiro, garantindo a segurança dos dados. A expectativa é que até o final deste ano a operação do segundo data center já comece. A empresa não revela de quanto foi o investimento na operação. Com faturamento atual anual de R$ 6 bi, a empresa planeja alcançar a marca de R$ 20 bi até 2020. "A TI deve se preparar para receber esse dinamismo porque uma das estratégias da Weg para chegar a esses números são as aquisições de outras empresas e a abertura de novos negócios".

Na avaliação de Habowsky, um dos maiores benefícios do processo de virtualização da empresa foi a capacidade de absorver infraestrutura de uma forma rápida e eficiente. Com o novo ambiente, a empresa conseguiu uma série de otimizações de redes e de backup, além de reduzir em 35% o consumo de energia, em 20% os custos diretos de suporte e infraestrutura física, e aumentar em 40% a disponilidade de infra para novas demandas.

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