Traduzindo as maiores tendências em TI em resultados de negócio

Por Colaborador externo | 04.11.2014 às 12:08

*Por Carlos Brito

Na indústria da Tecnologia da Informação, as décadas são definidas por mudanças marcantes. Os anos 80 ficaram marcados como o período do computador pessoal, possibilitado pela Microsoft. Já os anos 90 foram o período das redes para servir os clientes. Em 2000, a mudança foi sintetizada pela Internet com empresas como Amazon e Google desempenhando grandes papéis.

São muitos os rumores sobre as próximas tendências em TI. Estamos vendo uma mudança em direção ao ponto em que a TI se torna uma “utility”. Ela está igualmente acessível a empresas de grande a pequeno porte, TI como serviço, na nuvem ou de consumo, com companhias como Apple e Facebook liderando essa ruptura da tecnologia. Acredito que o período atual será o que mais vai ter rupturas do que qualquer outro período anterior, por conta de impulsionadores macroeconômicos.

Em tudo isso, há uma oportunidade significativa para empresas agarrarem essas tendências e se tornarem fortes competidoras. Coloco aqui alguns “insights” práticos que traduzem essa realidade para negócios.

1. Modelos na nuvem e baseados em consumo

Muitas empresas estão indo em direção a modelos baseados em consumo nas diferentes áreas de TIC. O interesse nesse modelo é impulsionado principalmente por questões financeiras, já que o orçamento na área deve continuar a sofrer pressão em 2015.

O modelo possui um grande potencial para que as empresas encontrem novas abordagens de mercado e gerem novos fluxos de receita. Por exemplo, um fabricante de software para sistemas de laboratórios de pesquisa conseguiu criar um novo mercado para seus produtos ao disponibilizá-los como Software as a Service (SaaS) na nuvem. Laboratórios de pesquisa menores também puderam acessar os produtos, já que o fabricante trabalha com base no pagamento por usuário.

Essa mudança será o grande equalizador em muitas indústrias. Nas últimas décadas, apenas grandes empresas puderam pagar por hardwares e softwares mais sofisticados. Hoje, todo negócio tem acesso aos mesmos sistemas. A tecnologia não é um diferencial, mas sim o que cada empresa faz com ela.

2. Mundo conectado

Este conceito está se tornando cada vez mais relevante. No futuro, a junção de informações com sensores em dispositivos será estendida para um nível além do que imaginamos ser possível hoje – em carros, bens de consumo, agricultura, sistemas médicos, etc. O volume de dados que cada sensor vai produzir pode ser transformado em informações inteligentes que ajudam na tomada de decisões em tempo real.

Varejistas, por exemplo, já estão entrando no mundo conectado, usando dados coletados por sensores para saber sobre o comportamento dos consumidores. Com esses dados, é possível apontar onde e quando os clientes gastam seu tempo e dinheiro, e assim, planejar estratégias mercadológicas mais assertivas.

3. Redes da próxima geração

Ao mesmo tempo em que houve grandes avanços na automação e virtualização de Data Centers, as operações de rede estão mais complexas, e as habilidades necessárias para configurá-la são escassas e caras. Mas acredito que as Redes Definidas por Software (SDN) serão um divisor de águas nessa questão.

A SDN entrega níveis altos de abstração e permite que dados e painéis de controle da rede possam ser dissociados. No futuro, é possível que uma grande porcentagem de serviços de rede seja invocada por software. O escopo do que é possível fazer com a rede vai expandir exponencialmente, e ela será mais ágil e vai suportar melhor os avanços de outras tecnologias.

4. Da mobilidade para computação centrada no usuário

As tendências se estendem para um modelo no qual os indivíduos serão capazes de usar qualquer dispositivo para acessar aplicações e dados, de qualquer lugar, e ser produtivo.

Uma empresa de aviação, por exemplo, reinventou totalmente seu processo de check-in usando dispositivos móveis. Os funcionários não ficam mais atrás do balcão, mas passeando para ajudar os passageiros a fazer o check-in pelo tablet, que também recebe todas as atualizações de horários via tecnologia sem fio. O impacto na satisfação do consumidor foi tremendo.

*Carlos Brito é Presidente da Dimension Data no Brasil.