Tecnologia preditiva de Big Data acabou com a privacidade, diz jornalista

Por Redação | 07 de Outubro de 2013 às 14h53

A tecnologia de análise preditva de Big Data acabou com a privacidade dos internautas, afirma John Naughton, pesquisador e jornalista do britânico The Guardian. O motivo é que as técnicas usadas por esses softwares atualmente podem efetivamente cruzar dados pessoais que não são protegidos por nenhuma legislação adotada hoje em dia.

Um exemplo disso é a Target, uma companhia de varejo norte-americana que coleta fragmentos de informações de indivíduos e com eles consegue descobrir hábitos de consumo e até a data de nascimento dos bebês de clientes atualmente grávidas, para oferecer produtos direcionados a elas.

A chamada análise prediditva da Target é explicada em uma reportagem do New York Times. Um exemplo usado foi o de uma mulher que começa a comprar suplementos de cálcio, magnésio e zinco. "Muitos consumidores compram sabão e algodão, mas quando alguém começa a comprar uma grande quantidade de sabão sem perfume e sacos de algodão, junto com desinfetantes para mãos e panos, isso sinaliza que a pessoa pode estar perto de ter um filho", diz a reportagem.

Sob uma perspectiva acadêmica, há dois pontos negativos na aplicação de técnicas de Big Data. O primeiro seria a forma como elas contornam a proteção de dados pessoais, já que é possível levantar tais dados (como a sexualidade de um consumidor) apenas juntando fragmentos de informação, como em um quebra-cabeças.

Outro perigo é que esses dados pessoais podem ser usados de forma prejudicial para o indivíduo. Por exemplo, para uma loja, é interessante conhecer o perfil detalhado do consumidor para oferecer produtos de forma personalizada, aumentando assim sua taxa de conversão de vendas. Mas essa tecnologia pode ser um risco para uma mulher se a empresa em que ela fez uma entrevista de emprego ficar sabendo que ela está grávida, implicando na não contratação dela por discriminação, segundo o jornalista.

Portanto, não é possível afirmar que temos privacidade com as leis digitais vigentes no Brasil, Estados Unidos e Europa, ou sequer se elas dificultam o trabalho de empresas como a Target. O jeito, pelo visto, é voltar às máquinas de escrever.

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