SAP foca em pequenas e médias empresas para expandir soluções na nuvem

Por Rafael Romer | 04 de Setembro de 2013 às 12h00

A SAP focará nas pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras para expandir suas soluções de nuvem no país. A aposta da produtora de software alemã é que a busca por competitividade estimule estas empresas a investirem em sistemas de gestão empresarial na nuvem. A intenção é atrair para a nuvem 145 mil novas empresas nos próximos três anos. Segundo Sandra Vaz, vice-presidente de vendas para o ecossistema e canais da SAP, tais empresas possuem receita média que varia entre R$ 450 mil e R$ 4 milhões e estão localizadas primariamente em grandes capitais do país. "É um mercado que vai trazer uma receita incremental, de crescimento, não é vender mais para os mesmo clientes, mas sim explorar novos mercados".

Para isso, a SAP deve investir no seu pacote para PMEs Business One, que já é vendido no Brasil no modelo de software como serviço (SaaS) com mensalidades a partir de R$ 300 por usuário. No segundo trimestre deste ano, a solução avançou 103% no mercado. "Antes vocês demorava de dez meses a um ano para ter uma solução de ERP dentro de casa, hoje em dez dias você consegue ter uma solução em teste", afirmou a executiva da SAP. "O que mudou é que nossas soluções se tornaram mais simples, nossos parceiros tem capacidade de entender as soluções e criaram pacotes de serviços". Segundo ela, a companhia já conta com 200 clientes de serviços distribuídos em cloud no Brasil.

Para alcançar essas empresas, a SAP deve apostas em parcerias com bancos ou operadoras de telecomunicações, que têm esses empresários em sua carteira de clientes. Atualmente, 46% das vendas da SAP são indiretas, via parceiros de negócios. A SAP também está alinhando parcerias com data centers e parceiros de soluções para ofertar seus produtos na nuvem.

A expectativa da SAP se apoia em recentes estudos que apontam que ainda há muito espaço para o crescimento do mercado brasileiro de software e serviços, que têm projeções otimistas de valorização no curto e médio prazo. Segundo dados recentes da consultoria Frost & Sullivan, os investimentos em TI no Brasil ainda são majoritariamente focados em hardware, que representam 55% do total. De acordo com o líder de tecnologia da Frost & Sullivan para a América Latina, Fernando Berlfort, isso significa que ainda há um amplo espaço para o avanço de softwares (15%) e serviços (30%) no país, como é comum observar em mercados mais maduros de TI. "As empresas [na América Latina] não tem muito legado e estão crescendo muito, essa é a combinação perfeita para a computação em nuvem", explica.

Um levantamento recente da consultoria, do final do ano passado, mostrou que "estudar conceito de computação em nuvem" já é a segunda principal meta da pauta de inovação para tomadores de decisão em TI para este ano. "Muita gente ansiosa para ver os primeiros contratos, mas o mercado precisa de dois anos para ter uma prova de conceito e começar a implementação", avalia. Ao mesmo tempo, executivos em TI já passam a ver a escalabilidade, alta disponibilidade e baixo custo como fatores impulsionadores desse mercado. Entre as soluções de nuvem mais utilizadas no país em 2013 estão o e-mail, adotado por 57% das empresas entrevistadas pela consultoria, seguido pelas aplicações CRM (30,7%) e ERP (28%).

A Frost & Sullivan aponta que a venda de TI no modelo de serviços vai registrar crescimento exponencial nos próximos cinco anos, principalmente de aplicações no modelo de software como serviço (SaaS), que fechará 2013 com um crescimento de 74% em relação ao ano anterior, alcançando US$ 302 milhões. Até 2017, esse tipo de serviço movimentará uma receita de aproximadamente US$ 1,3 bilhão no Brasil.

A tendência observada pela consultoria é que os modelos de SaaS, Plataforma como Serviço (PaaS) e Infraestrutura como Serviço (IaaS), canibalizem o mercado atual de data centers e passem a substituir serviços como Colocation, Hosting Dedicado, Armazenamento e Contingência de Negócios, o que aponta para mais um avanço do modelo da nuvem. "O Brasil é um dos países mais caros para se contruir e manter a estrutura do Data Center", explica Belfort. Esses desafios já se refletem na mentalidade dos CIOs brasileiro, que apontam restrições orçamentárias (40%), alto custo operacional (35%), aumento de demanda por storage (33%) e ineficiência de hardware (30%) como alguns dos principais motivos para a manutenção do data center próprio.

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