Meritocracia: como motivar o funcionário da sua empresa?

Por Rafael Romer | 04 de Abril de 2013 às 15h10

Quando conseguiu seu primeiro estágio remunerado, em agosto de 2011, o então estudante de engenharia elétrica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Marcelo Gomes, ainda era pouco familiarizado com os temas com os quais trabalharia na empresa de desenvolvimento de sistemas de gestão empresarial Betalabs. "A unica coisa que eu tinha era a informação básica de engenharia elétrica. Na época de estagiário mesmo que eu dei um gás a mais para conseguir aprender, pegar toda essa bagagem que faltava para mim em relação a outras pessoas", conta. Junto com a experiência adquirida e a formatura no curso, no final do ano foi oferecida a Marcelo uma vaga fixa de programador na empresa. Gomes ficaria na nova função por apenas outro ano antes de sua próxima oferta, desta vez, bem mais generosa: a de sócio da Betalabs.

Atualmente com 24 anos, ocupando o cargo de líder de desenvolvimento, o jovem atribuiu seu crescimento relâmpago no período de apenas um ano e meio a uma prática da Betalabs que se torna cada vez mais comum entre outras empresas: a meritocracia. Originalmente utilizada para caracterizar sistemas de governo que levam em consideração o mérito do indivíduo para a acensão de cargos, a palavra foi emprestada por empresas e seu método aplicado internamente, como forma de estimular o crescimento de funcionários através de bonificações e prêmios variados. "Até algum tempo atrás isso não era uma cultura em muitas empresas, mas é algo que está perceptivelmente maior de cinco anos para cá", explica Alexandre Attauah, gerente de Finanças e Contabilidade da Consultoria de Recursos Humanos Robert Half.

Antes focadas em empresas de áreas como a financeira e comercial, a meritocracia tem avançado em direção a empresas de outras áreas, como a tecnologia. "Ouvia-se muito pouco as pessoas falarem 'eu trabalho por bônus', as pessoas trabalhavam por um bom salário, bom emprego, estabilidade, mas elas querem cada vez mais trabalhos que permitam alavancar ganhos e alavancar suas carreira no sentido de 'eu faço mais, eu vou ser recompensado por aquilo'", complementa Attauah.

Empresas que trabalham dentro desse sistema costumam possuir um elevado nível de exigência de seus funcionários, que, em contra-partida, são beneficiados através de prêmios e incentivos variados em determinados períodos do ano. Segundo Attauah, esses incentivos são diferentes conforme a abordagem de casa empresa e podem tomar as mais variadas formas possíveis, como promoções ou subsídios para cursos para o funcionário por parte da empresa, ainda que os mais comuns estejam relacionados a remuneração. Na Betalabs, por exemplo, a prática é de bônus semestrais que podem chegar a três vezes o salário do funcionário.

Os bônus, no entanto, estão diretamente ligados a fatores como produtividade e comprometimento do funcionário, do qual é esperado não só o trabalho que deve realizar, mas extras que justifiquem os prêmios. "Primeiro o funcionário tem que entender o que está sendo tratado e o que se espera dele, não fazer só o que é esperado, mas superar expectativas. Isso é o primeiro passo para que a pessoa possa começar a ser reconhecida", explica o consultor. Já para o Marcelo, uma das principais coisas que o funcionário deve fazer é se manter motivado dentro da empresa, aproveitando o ambiente oferecido para conseguir se destacar. "A gente vê um pessoal que não dá certo que muitas vezes entra com o pensamento de 'ah, é só mais um trabalho', e é exatamente isso que falta", afirma.

Apesar de trazer aspectos positivos para funcionários e empresas, o sistema não fica livre de críticas. Entre as principais está o possível ambiente estressante que pode ser criado, já que, por definição, a meritocracia só pode existir em um ambiente onde haja competição - seja ela entre empresas, ou entre os próprios funcionários. "Isso exige, muitas vezes, uma maior carga horária, muito maior dedicação ao trabalho e existe uma questão de doação do tempo da pessoa maior em prol da empresa", explica Attauah. "Existem empresas que pregam uma competição mais agressiva, em um ambiente mais agressivo, mas isso depende muito da cultura que a empresa imprime", complementa.

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