Ford teme que mercado automobilístico se torne parecido com o de celulares

Por Redação | 05 de Fevereiro de 2015 às 08h59

A indústria automobilística vem sofrendo com as mudanças nos modelos de negócios e também com o perfil do consumidor. As grandes companhias do setor temem que essa nova era do mercado transforme os veículos em produtos semelhantes aos dispositivios móveis.

"Há cinco anos, muitos poderiam pensar que não haveria competitividade para nós", disse Mark Fields, chefe-executivo da Ford Motor, nesta quarta-feira (4), ao falar a respeito da chegada dos carros autônomos do Google no setor. "Adivinhe, eles estão olhando para nossa indústria e estão dando como certo algumas coisas, estão questionando a tradição e derrubando paredes. Quero ter a certeza que a Ford não irá acabar como o mercado de celulares", afirmou, em conferência automotiva na cidade alemã Bochum. As informações são da Reuters.

De acordo com o executivo, a maioria dos fabricantes de celulares se tornou dependente do modelo de negócios de empresas de comunicação. Ele teme que, aos poucos, os veículos comecem a perder o valor agregado e passem a ser tratados como commodities.

FORD MOTOR

Fields não entrou em detalhes sobre sua teoria, contudo, com os carros evoluindo tecnologicamente e se tornando mais conectados a dispositivos móveis, novos modelos de negócios estão surgindo, como o compartilhamento de veículos.

Isso pode colocar a obtenção de um automóvel de uma marca famosa em plano secundário e destacar os novos concorrentes da indústria, como diferentes tipos de locação de carros para grandes cidades, por exemplo. Para se manter competitiva, a Ford deve investir em tecnologia de ponta, segundo Fields. "Há sempre esse costume das pessoas terem algumas coisas como certas e dizer que isso é tradição. Nossa oportunidade é olhar para um panorama mais amplo".

Ainda que o discurso de Fields seja sobre ampliação da atuação da Ford, o executivo também falou sobre a diminuição da produção da companhia na Rússia. A baixa na demanda e as taxas elevadas têm feito com que a companhia amargue prejuízos na Europa. Para atenuar a crise, a Ford tem feito ajustes ao lado de parceiros locais. "Estamos tendo a certeza de que a produção é adequada à demanda. Estamos tendo certeza de que estamos fazendo cortes apropriados para os custos indiretos, mas continuando a servir o mercado".

A baixa na indústria automobilística é uma previsão que vem se confirmando nas últimas temporadas. Há uma mentalidade crescente entre os consumidores pela busca por alternativas de transporte, como as bicicletas, que podem baratear custos, combater a poluição e também incentivar o bem-estar e melhorar a qualidade de vida com exercícios físicos.

Somado a isso, o trânsito nas grandes cidades, como São Paulo, têm tornado o cotidiano cada vez mais estressante e trazido problemas relacionados à expansão de vias para automóveis. E a vinda de gigantes como o Google para um setor que antes não sofria concorrência de outras áreas faz com que as grandes fabricantes comecem a temer por uma queda ainda mais acentuada nas vendas nos próximos anos.

Fonte: http://www.reuters.com/article/2015/02/04/us-ford-outlook-ceo-idUSKBN0L816K20150204?feedType=RSS&feedName=technologyNews

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