Avanço de Big Data no Brasil deve esbarrar em falta de mão-de-obra

Por Rafael Romer | 10 de Fevereiro de 2014 às 12h11

Não há discussão que o Big Data foi uma das tendências mais hypadas dentro dos setores de TI corporativa em 2013. O tão falado aumento do fluxo, quantidade e variedade de informações, assim como o valor agregado que a coleta e análise destes dados podem gerar, foi ponto central de debate entre grandes empresas. Agora, CIOs de setores como Telecom, varejo e finanças passam a prestar mais atenção nos cases de sucesso que aparecem ao redor do chamado data mining ("mineração de dados").

E até o momento em 2014, os primeiros sinais emitidos pelas TIs corportativas é de que o termo Big Data não deve sumir tão cedo das listas de prioridades. Revelada nesta semana, uma pesquisa de previsões para o mercado brasileiro de TICs da consultoria IDC aponta que os Gastos com Big Data e Analytics atingirão US$ 426 milhões em 2014 no Brasil.

Com um número maior de cases bem sucedidos de uso de Big Data que emergiram no ano passado, a expectativa da consultoria é que mais empresas passem a olhar para estas soluções com mais cuidado.

Mas com o avanço, um desafio que já cerca a área de TI há tempos no Brasil deve se intensificar ao redor do Big Data: a falta de mão-de-obra qualificada, em especial o chamado cientista de dados. "São profissionais ainda em formação, que estão entendendo qual o seu papel dentro desta tecnologia e o que eles têm que gerar de valor para as empresas", afirmou o Coordenador de Software da IDC, Luciano Ramos, durante a apresentação da pesquisa, na última quarta-feira (5).

A IDC prevê que as iniciativas para criação desta mão-de-obra deva partir tanto de grandes empresas do setor, na tentativa de capacitar seus próprios profissionais, como do mercado, que assistindo à demanda crescente por analistas de dados, deve aumentar a oferta de cursos.

Entre as inciativas na área, está um novo curso de MBA com foco em Big Data apresentado neste ano pela Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP). "O cientista de dados é o profissional que tem uma visão muito específica na área de estatística e mineração de dados. Ele vai dar suporte à tomada de decisão da empresa, e tem que entender muito de negócio", explica Celso Poderoso, coordenador do curso. "Ele tem que aliar o conhecimento técnico de TI, matemática, estatística e banco de dados com um conhecimento de mercado grande".

De acordo com o docente, a decisão da criação do curso foi adiada em um ano, conforme o grupo formado para análise do projeto sentiu que 2013 ainda seria um período de experimentação com o Big Data no país. O adiamento serviu também para a criação de uma grade que deve reunir tanto os conhecimentos técnicos necessários para trabalhar junto a service providers com ferramentas de Big Data, quanto noções de mercado e administração para tirar mais valor das soluções para o negócio.

A aposta da instituição agora é que em 2014 mais empresas demandem estes profissionais, que já vão buscar alternativas para se profissionalizar na área o quanto antes. Até o momento, os principais interessados no curso têm sido profissionais que já atuam de maneira próxima às áreas envolvidas com Big Data, como estatísticos e pessoas das áreas de negócios. Mas a faculdade espera que mais profissionais se interessem pela área conforme ela ganha visibilidade, e espera ver o interesse de profissionais como executivos, gerentes e analistas de TI em breve.

"A gente realmente tem um problema grande de capacitação profissional, e é absolutamente necessário que aqueles que sejam conhecedores do assunto se engagem em programas para conhecer fundamentos e desenvolver essa área, que é desafiadora", opina Poderoso.

Fique por dentro do mundo da tecnologia!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba diariamente as notícias por e-mail.