Analistas acreditam em liderança do Apple Pay em pagamentos móveis em 2015

Por Redação | 02.12.2014 às 14:49

A aproximação de 2015 faz com que analistas tentem desvendar quais serão as tendências para o próximo ano no mercado e na área de tecnologia. Entre as apostas estão os meios de pagamentos móveis, que devem ter um crescimento no próximo ano, tanto no número de serviços disponíveis como também na adesão dos consumidores.

Com destaque no setor está a Apple, que para alguns analistas pode chegar à liderança do mercado em carteiras móveis, além de um crescimento do Bitcoin Blockchain e uma tendência dos bancos de perder parte dos clientes neste segmento, segundo artigo do CIO.

Para Christophe Uzureau, analista do Gartner, em 2015 vai aumentar a disputa por IDs digitais de consumo, sendo uma tendência chave para impulsionar o crescimento dos sistemas de pagamentos móveis. Neste sentido, ganha destaque a tecnologia usada no Apple Pay via TouchID, que usa a impressão digital do cliente, o que vai permitir um caminho mais amplo para atuação da Maçã neste segmento no próximo ano.

Para Gilles Ubaghs, analista da Ovum, o Apple Pay ganha destaque ainda pela combinação de dados biométricos com tokenização, que faz com que o cliente não precise redigitar os dados em todas as compras. O método pode ser considerado tão seguro como uma transação tradicional com cartão, resultando na mesma taxa de transação do cartão de crédito. Ubaghs destaca que com isso não apenas o cliente tem benefícios com a compra, mas o próprio comerciante também paga menos para processar a transação, o que incentiva o uso deste tipo de pagamento nos próprios pontos de vendas.

Segundo Alistair Leathwood, diretor executivo da TNS Austrália, se ele pudesse apostar em algum meio de pagamento móvel para 2015, este seria da Apple, pois a empresa parece muito boa em administrar o pagamento móvel, afirmou ele.

Outro concorrente forte no segmento de pagamento móvel é o Google Wallet, que tem se esforçado para aumentar a participação em transações de proximidade. “O uso do Google Wallet é principalmente através do Google Play e não impactou muito o uso de sistemas de pagamento móvel no PDV [ponto de venda]”, afirma Leathwood. Ainda assim, ele destaca que o Google está finalizando suas APIs do Google Wallet, que devem estar disponíveis em março de 2015.

Neste cenário, os bancos vão perder espaço e sentir a ameaça das empresas de tecnologia no mercado de pagamentos móveis, afirmou Leathwood. “Se a Apple ganha espaço de pagamento móvel, o iTunes, basicamente, torna-se a sua moeda. Se você pode pagar por coisas com vales do iTunes, então você quase não tem intermediários dos bancos em todo esse processo”.

Outra possibilidade, segundo o analista, é que empréstimos bancários possam acontecer através do sistema de pagamento da Apple, por exemplo. Em vez de retirar dinheiro para realizar pagamentos, o cliente receberia um comprovante do iTunes, tantos possíveis para comprar bens como carros ou imóveis.

Neste cenário mais extremo, os bancos teriam como alternativa desistir do controle total do sistema de pagamentos e colaborar com instituições não bancárias para continuarem relevantes neste segmento. “Em parceria com instituições não bancárias no espaço de pagamentos, os bancos também podem capturar informações importantes na utilização de soluções de pagamento que irão ajudá-los a contextualizar os seus serviços”, acredita Leathwood.

Um exemplo é o que acontece em aplicativos de mensagens sociais como WeChat e Line, que possibilitam novas formas de realizar vendas flash e compras em grupo. Neste sentido, é necessário uma solução de pagamento que incentive uma nova forma de consumo. “Isso vai exigir que os bancos aumentem seus níveis de cooperação, perdendo algum controle sobre o processo de pagamento, a fim de ganhar alguma influência preciosa em padrões de gastos de seus clientes”, ressalta Leathwood.

Segundo os analistas, os bancos continuarão a ter um papel muito relevante em diversas questões como seguro de vida, empréstimos e financiamentos. Mas em algum momento eles podem se tornar mais um “fabricante” de serviços e produtos financeiros.

Por fim, a moeda digital, o Bitcoin, deve ganhar mais força no próximo ano, mas continua como um mercado de nicho bastante específico, afirma Ubaghs. Para o analista o principal problema do Bitcoin continua sendo que ele parece muito complexo para quem não está acostumado com o sistema, e ele acredita na necessidade de melhorar a usabilidade e interface do Bitcoin para popularizar mais o recurso.

Já Uzureau, do Gartner, acredita que além das compras realizadas com a moeda digital, mais pessoas podem se interessar pelo conceito de Bitcoin Blockchain para realização de novos produtos e serviços financeiros. “No caso do Bitcoin, o impacto é para além dos sistemas de pagamento móvel. A combinação de mobilidade e do Bitcoin Blockchain permitirá a concepção de novos produtos e serviços financeiros”, afirmou ele.

Fonte: http://www.cio.com.au/article/560830/where-mobile-payments-heading-2015/?utm_medium=rss&utm_source=taxonomyfeed