A importância de uma comunicação integrada nos projetos de engenharia

Por Colaborador externo | 26 de Agosto de 2013 às 06h10

Por Marcus Granadeiro*

Para que haja uma real integração entre os participantes de um projeto, uma verdadeira automatização do processo documental do empreendimento, há necessidade de que todos os sistemas, de todos os participantes estejam integrados. O documento começa a ser criado e gerenciado nas projetistas, tem seu fluxo de revisão e emissãoautomatizado, é analisado e validado pela engenharia do proprietário e enviado para execução dentro de um sistema que organiza processo de negóciopactuado entre os envolvidos no projeto. Os benefícios desta automatização são de conhecimento de todos. Indo da simples economia de mão de obra até a sensível redução de risco do projeto como um todo.

Quando os sistemas de colaboração surgiram, início dos anos 2000, o mercado enxergou uma possibilidade para esta integração. Todos os participantes do empreendimento passariam a utilizar uma só ferramenta para se comunicar e gerenciar arquivos. Com só uma base de dados, o fluxo de informações passaria a ser plenamente automatizado e organizado, gerando mais qualidade, produtividade e economiapara todos.

Passada a primeira década de uso, a realidade se mostrou um pouco diferente. São raríssimos os projetos em que há apenas uma ferramenta de uso comum. A regra é que cada um tenha seu sistema, sua organização própria e o intercâmbio de informações é realizadoforma manual. Os projetistas compraram sistemas paraorganizar internamenteseus documentos, os chamados GEDs (Gerenciador Eletrônico de Documentos), as gerenciadoras adotaram diferentes sistemas de colaboração para gerir a tramitação de documentos e, com isso, alguns clientes finais ficaram com a dificuldade de lidar com distintos sistemas, pois cada empresa contratada oferecia uma ferramenta diferente. Os benefícios apareceram, os sistemas ajudaram a organizar e a distribuir a informação, porém, ficaram aquém da expectativa e do seu real potencial.

Atualmente, há uma demanda por sofisticar o uso das ferramentas de colaboração. Não basta apenas gerir os documentos dos projetos. Há a necessidade de integrá-los à gestão contratual, seja na relação cliente-fornecedor, ou na relação comercial dentro dos consórcios. Contratos, orçamentos, vistorias, pagamentos, qualidade e segurança são plenamente atendidos nos atuais projetos de colaboração.

Com a adoção de projetos em BIM (Building Information Modeling), a sofisticação tende a aumentar, pois, neste mecanismo, encontramos um modelo e uma base de dados muito mais rica do que os desenhos de CAD. O modelo BIM reúne diversas e importantes informações sobre custos, planejamentos e manutenções, sendo que o seu valor só será plenamente viabilizado com o aproveitamento destes dados em outros sistemas, que podem ser da própria empresa ou de parceiros e clientes.

Descrevendo este cenário, parece que voltamos ao início, sistemas parcialmente isolados e uma cadeia produtiva sem uma colaboração eficiente. Adicionamos a má notícia de uma tendência a piorar em função das sofisticações adotadas e da introdução do BIM. Porém, a boa noticia é que já existe tecnologia para integrar estas diferentes redes de colaboração. Elas são chamadas soluções de integração de aplicações. Estas soluções possibilitam a automatização da troca de informações entre sistemas, permitindo que cada empresa continue a utilizar o seu próprio sistema e que ele seja alimentado automaticamente em função de informações colocadas em sistemas dos parceiros. É o fim do retrabalho manual.

Esta tecnologia não é nova, já está madura e é utilizada pelo mercado bancário e de telecomunicações de maneira bastante intensa. A barreira que existe para adotá-las em nosso mercado é seu alto custo, porém esta barreira está sendoquebrada e, curiosamente, por um conceito do nosso mercado: o que nasceu com as ferramentas de colaboração, o software como serviço.

Assim como se “aluga” o sistema de colaboração para a gestão de comunicação de um projeto, o mercado passará a oferecer “aluguel” de integrações. Com o tempo, as próprias ferramentas de colaboração passarão a agregar este recurso em suas ofertas. Esta mudança ajudará a reduzir custos e trazer todos os benefícios sonhados e propagados no início dos anos 2000.

*Marcus Granadeiro é presidente do Construtivo, companhia especializada em soluções para a gestão de projetos e processos.

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