Mozilla promete demitir funcionários envolvidos em discursos de ódio

Por Redação | 25 de Agosto de 2015 às 12h15

A Mozilla está mais uma vez envolvida em polêmica devido a declarações inflamadas de seus colaboradores. Em um evento público organizado pela própria instituição, o CEO Chris Beard prometeu demitir funcionários envolvidos em discurso de ódio e disse que não tolera esse tipo de atitude dentro da companhia. Ele estava se referindo a um caso recente, no qual um usuário anônimo teria feito uma série de comentários negativos na rede social Reddit.

A fala se seguiu à saída da diretora de comunidades Christie Koehler, que deixou a Mozilla justamente pela falta de foco em diversidade e igualdade de gêneros e opções sexuais. Já há alguns meses, ela vinha criticando a empresa de forma velada pelo Twitter e, após deixá-la por não suportar mais deixar suas convicções de lado, revelou um pouco mais sobre os bastidores da desenvolvedora do Firefox.

Foram justamente tais comentários que levaram um usuário apelidado de “aioyama” a comentar, no Reddit, que a saída da executiva aconteceu até tarde demais. Para ele, todos na organização ficaram felizes ao vê-la partindo, pois ela era “insana e estava permanentemente ofendida com tudo”. Além disso, completou o bolo de ódio afirmando que a indústria de tecnologia será um lugar melhor quando “ela e o resto das feministas babacas de cabelo azul e piercing no nariz” a deixarem.

Foi justamente essa segunda fala que motivou as declarações de Beard. Ele afirmou não ver problema algum em críticas, principalmente quando elas acontecem entre os funcionários, mas afirmar que alguém e sua suposta “classe” não pertencem a um determinado segmento é demais.

O CEO disse que, se o responsável pelo comentário for identificado como um funcionário da Mozilla, será dispensado. E fez um pedido: caso não seja, abandone os projetos da organização. “Sua participação não é bem-vinda. Nós não somos assim”.

Por trás do cenário

Não é a primeira vez que a Mozilla se vê envolvida em polêmicas relacionadas a discursos de ódio. No ano passado, o antigo CEO da organização, Brendan Eich, foi levado a abandonar o cargo após ocupá-lo por apenas 11 dias. A saída do executivo ocorreu devido a uma contribuição feita em 2008 para grupos contra o casamento igualitário entre indivíduos do mesmo gênero. Ele foi substituído por Beard, que ocupou a cadeira com uma promessa de fomentar a diversidade e a igualdade não apenas dentro da própria empresa, mas também no mercado de tecnologia.

Mas não foi bem isso que mostraram os tweets de Koehler, publicados no início de agosto. Segundo ela, essa era uma promessa apenas de fachada e, internamente, a Mozilla não apoiava seus funcionários homossexuais nem permitia que eles se comportassem diante de seus parceiros assim como os casais heterossexuais de funcionários. Não havia código de conduta nem apoio à resolução de conflitos de qualquer tipo.

A ausência de políticas claras para lidar com isso, por exemplo, teria levado justamente ao escândalo com Eich, mal interpretado pela imprensa e pelo público, na opinião de Koehler. Internamente, segundo ela, ficava a impressão de que o público “estava implicando com a organização” e ela, em alguns momentos, chegou a ser apontada como o pivô da renúncia do executivo.

Além disso, ela aponta a ausência de uma organização interna para a gestão de prioridade no trabalho e a dificuldade em dizer “não” aos funcionários, na mesma medida em que não existe apoio para que eles sigam em frente com seus projetos. A ausência de avaliações de performance, promoções, aumentos de salário ou qualquer tipo de feedback fazia com que decisões importantes para o futuro dos funcionários e dos próprios softwares da Mozilla parecessem unilaterais, por questões de ingerência.

“Nunca trabalhei em um lugar que me fez sentir tão incompetente e desvalorizada”, afirmou. Ela diz ter trabalhado em bons projetos e ter vestido a camisa da empresa por muito tempo, mas chegou um momento em que não foi mais capaz de suportar a realidade dos fatos e que não sentirá a menor falta de “comprometer sua integridade diariamente”.

Fontes: The Verge, Christie Koehler (Storify)

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