Mozilla volta a trabalhar no Firefox para iOS

Por Redação | 03 de Dezembro de 2014 às 15h02

Com o intuito de “abrir a jaula” do iOS, a Mozilla anunciou que retomou o desenvolvimento do Firefox para celulares e tablets com o sistema operacional móvel da Apple. Segundo o vice-presidente do setor do navegador, Jonathan Nightingale, a ideia é buscar os usuários onde eles estão e atender a seus pedidos, trazendo os mesmos conceitos open source dos computadores também para o mundo mobile.

Além disso, claro, o movimento tem a ver com a popularidade cada vez mais crescente do Google Chrome não apenas nos aparelhos da Apple, mas também no Android. Apesar dos desenvolvimentos recentes serem relacionados de forma mais específica ao iOS, a Mozilla aproveitou o evento Mozlandia, voltado para seus desenvolvedores parceiros, para reafirmar seu compromisso com todo o mundo mobile.

A ideia, aqui, é permitir que os usuários carreguem a mesma experiência dos computadores também para seus celulares e tablets, algo que o Google já tem feito com bastante sucesso. De acordo com os dados citados pelo site CNET, o Firefox é utilizado hoje por 11,6% dos internautas, o que tornaria essa conversão mais facilitada caso a Mozilla apresente um browser com integração, design e funções semelhantes.

Não é a primeira vez que a organização tenta trabalhar com algo desse tipo. Além de trabalhar em seu próprio sistema operacional de código aberto, a Mozilla já apresentou, no passado, o Junior, sua alternativa para navegação online no iOS. Meses depois, porém, o projeto foi abandonado devido às restrições impostas pela Apple a aplicativos de navegação construídos por terceiros. Na época, alguns de seus desenvolvedores chegaram a afirmar que jamais trabalhariam com a plataforma da Apple novamente.

Mas, agora, tudo está diferente e o crescimento cada vez maior dos tablets e smartphones em detrimento dos computadores transformou as coisas. Para a Mozilla, é essencial manter o market share nos PCs na mesma medida em que caminha em direção a outras plataformas, de forma a não correr o risco de ficar preso em um passado que pode estar chegando ao fim.

Ainda não é o ideal, mas quase

Outro ponto que contava contra a entrada da Mozilla no iOS era o fato de a Apple proibir o uso de engines de terceiros no desenvolvimento de browsers para seu sistema. Quem quisesse, deveria utilizar o mesmo sistema do Safari e, além disso, passar por testes de performance antes de serem aprovados para download. São medidas que vão de encontro à missão da organização, que fomenta o código aberto em todas as suas aplicações.

Com o iOS 8, a Apple mudou um pouco as coisas e, apesar de ainda exigir o uso de sua própria engine, abrandou as regras e tornou o sistema muito mais compatível com o JavaScript. Além disso, novas opções de customização também foram implementadas, como modificações na interface, mais opções para sincronização de histórico e favoritos, além de uma melhor capacidade de conexão com elementos externos.

Mais do que isso, analistas apontam que a presença do Firefox no iOS, se tão bem-sucedida quanto a empreitada nos computadores, pode dar à Mozilla a força necessária para negociar com a Apple um afrouxamento ainda maior nessas normas. O objetivo final, claro, é a abertura em termos de engine, para que sistemas de código aberto possam, finalmente, funcionar no sistema operacional. Mas isso é coisa para, pelo menos, alguns anos.

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