Mozilla fará 'batizado digital' para mulheres da zona rural do Rio Grande do Sul

Por Rafael Romer | 12 de Fevereiro de 2015 às 17h00

A WoMoz, comunidade da Mozilla para para engajamento de mulheres no mundo da tecnologia, promoverá seu primeiro "batizado digital" no Brasil para 300 mulheres agricultoras da zona rural de Gaurama, município ao norte do Rio Grande do Sul, com 5 mil habitantes.

A iniciativa será realizada durante a primeira semana de março, com encerramento marcado para o Dia Internacional da Mulher, no domingo (8). A ideia do batismo é tornar a tecnologia mais próxima das pessoas que com receio das mudanças trazidas pelo avanço da internet e dos computadores, principalmente nos locais mais distantes dos grandes centros urbanos do país. No total, serão dez oficinas nas quais as participantes que nunca mexeram em um PC vão aprender a ligar a máquina, acessar e navegar na internet e descobrir como uma página da web é construída.

Gaurama é a cidade natal de Melissa Devens, uma das voluntárias responsáveis pelo WoMoz que se envolveu no projeto no ano passado para retomar a iniciativa no Brasil. O site tem como proposta principal estimular a participação e criar um ambiente agradável para mulheres dentro da comunidade da Mozilla da e também na área de software livre.

"Ele serve para incentivar e dar mais visibilidade para o trabalho das mulheres", explicou. "Na tecnologia, a gente nota que a mulher ou é endeusada pelo homem, ou inferiorizada, do tipo 'se fez errado, é porque é mulher'. Queremos quebrar esse estereótipo". Segundo ela, a ideia central é criar um ambiente no qual mulheres desenvolvedoras possam se sentir acolhidas quando chega. "Quando uma mulher convida outra mulher para a comunidade, ela vai sentir que tem uma proteção", diz.

O projeto WoMoz surgiu em 2009 dentro da Mozilla, mas passou por altos e baixos nos últimos seis anos, até ser retomado com força a partir do ano passado. O Brasil tem atualmente a segunda maior comunidade do mundo do WoMoz, com 10 mulheres envolvidas - o país fica atrás apenas da Índia, que tem hoje cerca de 12 pessoas no projeto.

O site também ganhou uma versão brasileira na semana passada, que foi finalizado pela comunidade durante a Campus Party Brasil. A versão em português da página tem como objetivo aproximar mais pessoas da inciativa, já que o inglês ainda é uma barreira de engajamento para muitas pessoas no país.

"Eu vejo um avanço no Brasil. As mulheres estão dando mais a cara a tapa e fazendo o que elas querem", explicou. "Tem muito mais mulheres na tecnologia hoje do que tinha há um tempo, e isso é ótimo. Mas podemos fazer com que esse ambiente fique muito mais confortável para que venham mais mulheres. Não tem porquê ter uma maioria de homens no ambiente tecnológico", conclui.

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