MWC 2019 | Diretor da Xiaomi explica a falta de smartphone dobrável no evento

Por Rafael Rodrigues da Silva | 27 de Fevereiro de 2019 às 19h50
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Ficha técnica

Durante a conferência da Xiaomi no MWC 2019, uma coisa pegou os presentes de surpresa: a falta de um smartphone dobrável da marca — afinal, rolaram alguns vazamentos recentes mostrando o dispositivo em questão e o mercado aguardava que a Xiaomi anunciasse, ou ao menos exibisse, tal aparelho no evento de Barcelona. Isso porque a apresentação de smartphones dobráveis e com suporte a 5G foram os grandes destaques do evento deste ano, e o fato de o presidente da empresa, Lin Bin, ter postado no sábado passado (23) um vídeo dele usando um smartphone dobrável fez com que a não revelação oficial do aparelho durante o evento deixasse algumas pessoas frustradas.

Mas, de acordo com Donovan Sung, diretor de gerenciamento de produtos da Xiaomi, há uma motivo bem simples para a empresa não ter levado seu aparelho dobrável ao evento: o dispositivo ainda não estava pronto para ser mostrado.

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Segundo Sung, ainda que a empresa esteja sim desenvolvendo a tecnologia, ela não estava ainda boa o suficiente para um anúncio público, e por isso a empresa resolveu esperar e não revelar nada durante o MWC deste ano, pois considera que garantir que o primeiro smartphone dobrável da companhia tenha um lançamento perfeito é um passo essencial para o sucesso do modelo no mercado.

A cautela da empresa pode se mostrar justificada: apesar de diversas marcas terem apresentados seus smartphones dobráveis no evento, todos estavam protegidos em redomas de vidro e não podiam ser testados pelo público, o que talvez seja um indício de que essa tecnologia ainda não está tão “pronta” quanto as empresas estão mostrando.

Aposta no 5G

Apesar de ter se afastado da onda de revelações de smartphones dobráveis, a empresa não “fugiu da raia” quando o assunto foi 5G, e não apenas anunciou o primeiro aparelho da empresa com suporte ao novo modelo de rede — o Mi Mix 3 — como ainda foi a primeira a revelar o preço de um aparelho com essa tecnologia, que será vendido a partir de U$ 680 (apenas U$ 50 mais caro do que a versão do mesmo smartphone que possui apenas suporte a 4G).

De acordo com Sung, apesar de o modelo 5G obrigar a empresa a fazer modificações devido às necessidades causadas pela tecnologia — principalmente porque nenhuma empresa lançou ainda um modem que suporte todas as redes existente em um único chip, o que obriga as empresas a aumentarem o número de componentes nos aparelhos —, o executivo garante que não haverá diferenças significativas entre os modelos.

Além, claro, do modem 5G, o Mi Mix 3 com suporte à nova tecnologia também terá um processador diferente e uma bateria relativamente maior do que o modelo 4G (3.800 mAh contra 3.200 mAh), mas a performance de ambos será exatamente a mesma. Outra diferença notável é que, ao contrário do modelo 4G, o Mi Mix 3 5G aceitará apenas um único chip — o que explica de onde os engenheiros da Xiaomi tiraram espaço para implantar os novos circuitos sem a necessidade de mudar as dimensões do aparelho.

Essa preocupação toda é porque, contrário a algumas pessoas que acham que as redes 5G só irão impactar aplicações de IoT (Internet das Coisas), carros autônomos e cidades conectadas, a Xiaomi acredita que o 5G poderá ser uma revolução sim para o mercado de smartphones.

Sung lembra de como muitas coisas que usamos hoje todos os dias por conta das redes 4G seriam praticamente impossíveis de serem utilizadas em redes 3G mais antigas, como aplicativos de transporte urbano (Uber, Lyft e afins), apps de navegação (como Waze e Google Maps), ou até mesmo criar Stories no Instagram e assistir a tantos vídeos no YouTube. As velocidades das conexões 3G não permitiriam que nenhum desses aplicativos funcionassem de forma correta fora de uma conexão Wi-Fi, e foi o advento do 4G que permitiu que todo um ecossistema de apps prosperasse.

Ele acredita que o mesmo deverá acontecer com a chegada das redes 5G e, ainda que não tenhamos empresas trabalhando no desenvolvimento de aplicativos específicos para utilizar as melhores velocidades de tráfego de dados, já existem alguns usos atuais que podem prosperar no mercado mobile com a chegada do 5G, como jogos em nuvem de alta definição (HD) e transmissões ao vivo em qualidade 4K.

Por enquanto, a empresa não revelou a data específica para o lançamento do Mi Mix 3, mas já avisou que deverá acontecer durante o verão do hemisfério norte (período entre os meses de julho e setembro). Também ainda não se sabe exatamente para quais países os aparelhos serão lançados, e as únicas certezas por enquanto são de lançamento nos mercado chineses e na europa oriental, mas Sung já revelou que espera que até 2020 ambos os modelos já estejam disponíveis em todos os mais de 80 países onde a Xiaomi vende seus produtos.

Fonte: Venture Beat

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