Spotify pode estar planejando abertura de capital

Por Redação | 20.07.2016 às 11:13
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O Spotify pode estar preparando sua abertura de capital para o segundo semestre do ano que vem. Pelo menos, é isso que apontam uma série de fontes supostamente ligadas à companhia, que estaria enxergando o início da venda de suas ações como um bom caminho não apenas para se valorizar, mas também para conter os gastos cada vez mais crescentes que a deixam no vermelho.

A informação não é necessariamente uma novidade, entretanto. Os rumores sobre um IPO da companhia avaliada em US$ 8 bilhões já correm desde meados do ano passado e, em sua última rodada de investimentos, na qual recebeu US$ 1 bilhão em forma de dívidas conversíveis, o contrato trazia uma cláusula ligada à abertura de capital. Os rumores foram fortalecidos ainda mais em junho, quando a empresa de streaming contratou Paul Vogel, ex-Barclays, para ser seu diretor de relações com investidores, dando mais um sinal de que está caminhando para o mercado de ações.

Enquanto isso, dia após dia, o Spotify continua enfrentando a pressão e a negatividade de gravadoras e artistas devido ao baixo pagamento de royalties por reprodução. Só no ano passado, foram mais de US$ 1,8 bilhão entregues aos músicos, um total que estaria abaixo do valor de mercado, com a plataforma pagando 50% do total de músicas ouvidas pelos seus usuários.

Na visão do setor, o grande motivo para isso seria sua opção gratuita, que pode até contar com uma grande fatia de usuários, mas cujos anúncios não dão conta de suportar a utilização. O Spotify não é como uma rede social, e além dos gastos com servidores, precisa pagar os artistas e se manter sadia como empresa. No final das contas, a matemática não fecha, mas essa conta pode, pelo menos, se tornar mais positiva com a ajuda das vendas de ações.

Mesmo sendo o maior dos serviços de streaming, com mais de 30 milhões de usuários apenas na opção paga e representando 10% do faturamento da indústria fonográfica, o Spotify pode acabar não sendo tão atraente assim para investidores justamente por causa do histórico dessa indústria. O streaming, atualmente, se encontra no auge, mas já estiveram lá, também, as lojas virtuais de música e os aplicativos de download.

Concorrentes como o Pandora começam a diversificar seus negócios em busca de mais lucratividade, enquanto Apple Music e Google Play Música têm gigantes da tecnologia por trás para suportar suas operações.

Ainda assim, um IPO parece ser mesmo o melhor caminho para a companhia. Ela não se pronunciou sobre os novos rumores e, aparentemente, terá um longo trabalho pela frente, combatendo o ceticismo do mercado antes de começar a ver suas contas azuis como todos gostariam que fossem.

Fonte: Bloomberg