Spotify pode acabar com serviço gratuito

Por Redação | 11 de Agosto de 2015 às 12h16

A festa de quem gosta de ouvir música, mas não de pagar, pode estar prestes a terminar. Como já acontece desde o começo do ano, voltaram a circular rumores de que o Spotify estaria repensando seu modelo de negócios e estaria disposto a acabar, ou pelo menos limitar, sua opção de acesso gratuito à biblioteca de músicas. O culpado, claro, é o faturamento abaixo do esperado na modalidade, que acumula o maior número de usuários, mas traz receita deficitária única e exclusivamente por meio da publicidade.

De acordo com as informações de fontes que estariam ligadas à companhia de streaming, as mudanças estariam sendo pensadas para aplicação no começo do ano que vem. A ideia principal, claro, é acabar de vez com a opção gratuita, seguindo o caminho de outros serviços, como o Apple Music, e oferecer apenas assinaturas pagas para acesso ao conteúdo.

Outras opções seriam menos restritivas. Como forma de incentivar usuários gratuitos a se tornarem membros pagantes, o Spotify também estaria pensando em limitar o acesso a lançamentos, seja oferecendo apenas uma ou duas músicas de novos álbuns ou impedindo o acesso a eles por um determinado período de tempo. Outra alternativa seria criar um limite de horas ou dias nos quais tais faixas poderiam ser acessadas – caso queira continuar ouvindo, será preciso pagar.

Seriam mudanças bastante bruscas e limitadoras para um serviço que acumula cada vez mais ouvintes justamente por causa de sua opção grátis. Hoje, o Spotify oferece acesso ilimitado e irrestrito a todo seu portfólio de canções a todos os usuários. Quem não paga, porém, tem funções a menos – só pode ouvir músicas em ordem aleatória no celular, não é capaz de baixá-las para execução offline e escuta propagandas entre as canções.

Quem utiliza o serviço sabe que a frequência de anúncios está cada vez maior, um incômodo que já levou muita gente a assinar, mas não a maioria. Números oficiais apontam que cerca de 70% dos 75 milhões de usuários do Spotify utilizam o serviço gratuitamente. Esse total gera números gigantescos de reprodução de músicas, mas também é a pedra no sapato da empresa, já que ela precisa pagar royalties para os artistas.

E é justamente aí que estaria a grande pressão, que há meses gera boatos desse tipo. Gravadoras como Sony, Warner e Universal estariam ameaçando o Spotify para receber mais dinheiro por reprodução, caso contrário retirariam seus portfólios do serviço. A cantora Taylor Swift, por exemplo, foi uma das primeiras a retirar suas músicas da plataforma por esse motivo.

A estimativa é que o Spotify pague cerca de R$ 0,02 às gravadoras por reprodução e esse mínimo valor não apenas ainda é dividido entre empresas e artistas, como também já é alto o suficiente para causar um rombo nas contas. Os lucros da empresa andam baixos, e situações como estas não ajudam em nada. Por enquanto, porém, a empresa tem se mantido muda sobre alterações desse tipo, sem confirmar nem negar as pressões que supostamente vem sofrendo.

No passado, porém, o CEO do Spotify, Daniel Ek, já se disse contrário à imposição de mudanças ao serviço gratuito. Em 1º de outubro, porém, muitos dos contratos de licenciamento de conteúdo com o serviço terminariam e as gravadoras, tanto gigantes quanto independentes, estariam usando a plataforma de refém para obterem mais royalties. E é aí que a mudança pode acontecer, já que um total de usuários alto de nada adianta se eles não tiverem o que ouvir. A indústria fonográfica, aparentemente, tem a carta mais alta nesse jogo.

No Brasil, o Spotify custa R$ 14,90 por mês e dá acesso a todas as funcionalidades das versões internacionais do serviço. Uma promoção para novos assinantes, porém, permite que novos clientes paguem R$ 1,99 pelos primeiros três meses, retornando ao valor comum depois disso, e vem sendo apontada como uma grande motivadora da transferência de usuários do modelo gratuito para o pago.

Fontes: Digital Trends, Digital Music News

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