Spotify fecha contratos diretamente com músicos e deixa gravadoras pistola

Por Wagner Wakka | 07 de Setembro de 2018 às 20h20
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O Spotify está adotando uma postura mais agressiva para aumentar sua participação na indústria da música, ainda dominado por grandes selos de produção musical. O NY Times conversou com pessoas próximas à companhia de Estocolmo e descobriu que o serviço começou a negociar acordos diretamente com artistas, sem o intermédio das gravadoras.

Seis pessoas ouvidas pelo periódico norte-americana afirmaram ter acompanhado tais negociações. De acordo com elas, o Spotify teria oferecido e pago vantagens para artistas não assinarem com gravadoras. Assim, não só a companhia teria mais chances de controlar os acordos com tais artistas, como poderia oferecer mais dinheiro sem essa mediação.

Dentre as vantagens estariam uma porcentagem maior dos royalties de reprodução para os músicos. Atualmente, a gravadora fica com cerca de 52% do montante, reservando ao artista perto de 15% do total. Com isso, o Spotify pode chegar a oferecer todo o percentual para quem criou a música, tornando o negócio extremamente atraente para o "lado mais fraco da corda".

As negociações ainda não exigiriam que o conteúdo fosse exclusivo para a biblioteca do Spotify, oferecendo possibilidades de inclusão na loja de música da Apple e Amazon. Ou seja, diferente do que acontece com acordos intermediários, o artista passa a ter mais controle e flexibilidade sobre quais plataforma quer estar.

Embora não confirme o novo modelo, o CEO da empresa, Daniel Ek, já havia sinalizado a possibilidade de adotá-lo na apresentação dos resultados financeiros trimestrais em julho.

O perigo para, a indústria convencional, não é necessariamente que os artistas queiram apenas ficar com o Spotify, mas que passem a perceber que podem ganhar uma fatia maior de lucro e ser autossuficientes no mercado. Por exemplo, Taylor Swift já anunciou que, no próximo ano, deve se tornar uma artista independente para ter mais controle sobre suas produções e investimentos.

Nenhum grande selo se manifestou sobre a nova postura do Spotify, mas o New York Times afirmou que "executivos da indústria da música têm indicado que podriam punir o Spotify retendo as licenças que a empresa precisa para expandir suas operações na Índia", por exemplo. Uma das formas de Warner, Sony e Universal, as três maiores gravadoras do mundo, fazerem isso é não renovando o contrato com o Spotify, cuja validade acaba em 2019.

Atualmente, o Spotify está sendo avaliada em US$ 34 bilhões, mas registrou perda de US$ 1,5 bilhão no último trimestre. Desta forma, a empresa está buscando formas também de também aumentar seus anhos. Se essa relação mais íntima entre plataformas de streaming e artistas se firmar nos próximos anos, pode ser que estejamos bem próximos de uma nova revolução na indústria da música.

Fonte: NY Times

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