Spotify estaria criando "artistas falsos" para reduzir custos de royalties

Por Redação | 10.07.2017 às 09:18

Poucos dias atrás o Spotify foi acusado de estar preenchendo algumas de suas listas de reprodução mais populares com "artistas falsos". A acusação partiu inicialmente do site da Music Business Worldwide e repercutiu posteriormente pela Vulture. De acordo com a denúncia, o serviço de streaming de músicas estaria criando faixas para expandir suas listas de reprodução ambientais mais populares a baixo custo.

As alegações afirmam que algumas listas de reprodução do serviço de streaming estão cheias de bandas ou artistas sem perfil público, com poucas músicas, mas milhões de reproduções graças à estratégia da empresa de colocá-las em meio às suas playlists mais populares. A acusação perante a empresa é seríssima, visto que, caso o Spotify realmente esteja criando músicos "falsos" para benefício próprio, isso constituiria fraude.

Sustentando as alegações estão dois artistas que compõem uma lista de reprodução do Spotify. O "Deep Watch" é um artista que possui apenas um EP, denominado Endless Fragments of Time, mas que não possui perfil fora do Spotify, nenhum detalhe biográfico no próprio serviço e nenhum show marcado para os meses a frente. Suas duas músicas, porém, têm acumulado 4,5 milhões de reproduções nos últimos cinco meses desde que o suposto EP foi lançado. As músicas estão presentes na lista de reprodução "Ambient Chill" (com mais de 425 mil seguidores) desde abril. O segundo caso é o do artista "Enno Aareque", que também parece não existir fora do serviço de streaming, mas conta com quatro músicas que somam 17 milhões de reproduções. Elas estão presentes nas playlists "Sleep", "Peaceful Piano", "Piano in The Background", "Deep Sleep" e "Music For Concentration".

A Music Business Worldwide afirmou que existe "uma infinidade de artistas inventados no Spotify, sendo criados sob o anonimato dos produtores, acumulando milhões de reproduções, sendo escolhidos para aparecer em listas de reprodução mais populares". No total, a MBW identificou 50 artistas desse tipo. O esquema pode gerar taxas de royalties muito mais favoráveis ao Spotify do que as taxas ofertadas para as gravadoras. Uma redução de apenas um centavo em cada uma das reproduções poderia significar uma economia de mais de US$ 200 mil para a empresa de streaming.

Em resposta, o Spotify negou com veemência as acusações de que estaria criando "artistas falsos" para alimentar suas playlists. "Nós pagamos royalties - de composição e distribuição - por todas as faixas no Spotify, e por tudo o que colocamos em playlists. Nós não possuímos direitos [para canções], não somos uma gravadora, toda a nossa música é licenciada dos titulares dos direitos e nós pagamos eles - nós não pagamos a nós mesmos", esclareceu a empresa. Ainda assim, a declaração não refuta totalmente as alegações, e a dúvida sobre a possível fraude no serviço ainda continua.

Fonte: Music Business Worldwide

Fonte: https://www.theguardian.com/technology/2017/jul/10/spotify-denies-filling-popular-playlists-with-fake-artists