Spotify chega a 20 milhões de assinantes

Por Redação | 10.06.2015 às 11:43

O anúncio do Apple Music, na segunda-feira (08), e a escolha já esperada por um sistema que funciona exclusivamente por assinaturas fez com que, mais uma vez, os olhos se voltassem ao modelo gratuito de utilização aplicado pelo Spotify. Aproveitando a atenção e o retorno de uma discussão que nunca morreu de verdade, a empresa respondeu à altura, anunciando que o serviço já conta com mais de 20 milhões de usuários pagantes.

A marca foi comemorada pela companhia como um recorde, mas ainda representa menos da metade dos usuários totais do serviço. Hoje, o Spotify conta com 75 milhões de ouvintes. Ou seja, quase 75% deles ainda são usuários da versão gratuita, baseada em anúncios, e esse total aumenta em progressão muito maior na comparação com o número de assinaturas.

Apesar disso, a empresa passou longe de lamentar por algo assim e, ao contrário, enalteceu seu crescimento rápido. Em um ano a empresa foi capaz de dobrar seu total de assinantes e obter praticamente o mesmo resultado no número de usuários totais. Em junho de 2014, eram, respectivamente, 10 milhões e 40 milhões em cada categoria.

A notícia também é oportuna, pois acompanha uma nova rodada de investimentos para expansão dos serviços do Spotify. Nesta quarta-feira (10), foi revelado um aporte de US$ 526 milhões na plataforma, sendo que desse total, US$ 115 milhões vieram da operadora sueca TeliaSonera, em troca de uma parcela de 1,4% de participação no serviço. Hoje, a plataforma de streaming tem valor estimado em US$ 8 bilhões.

Um dos fatores apontados pelos analistas para esse aumento súbito é uma promoção corrente. Em todo o mundo, a empresa apresenta uma proposta de assinatura por preço reduzido que tem atraído a atenção de usuários justamente por acabar com os anúncios. No Brasil, por exemplo, a empresa comemora um ano desde seu lançamento oficial cobrando R$ 1,99 por três meses de acesso Premium para novos clientes.

A expectativa é que quem aproveitou a oferta permaneça como assinante depois que o período promocional termine e eles tenham que pagar o valor tradicional, que por aqui é de R$ 14,90. É um movimento extremamente necessário, já que, como se comenta há algum tempo na imprensa, gravadoras e empresas da indústria fonográfica vêm exercendo pressão sobre a plataforma devido ao baixo pagamento de royalties por execução de canções, um fruto, justamente, da política de acesso gratuito promovida pelo Spotify.

Apesar de toda essa gente, a empresa ainda não está no azul. No final do ano passado, o Spotify apresentou um aumento de 45% no faturamento, mas também perdas de mais de US$ 180 milhões. 70% de todos os gastos da companhia é voltada para o pagamento de royalties aos artistas, um custo que não é coberto pela renda oriunda dos anúncios ouvidos pela maioria de seus usuários gratuitos. Por isso o foco em angariar novos assinantes para fazer com que essa conta feche.

O grande rival que ainda nem chegou

Apple Music

Não ajudou muito, também, o fato de que a Apple, que já mudou esse mercado uma vez, está adotando um modelo baseado única e exclusivamente em assinaturas. Como revelou nesta segunda-feira (08), durante o WWDC, o Apple Music dará três meses gratuitos para todos os usuários que, depois, precisarão pagar US$ 10 por mês. É um valor inferior ao cobrado pelo Spotify e para um serviço que vem ganhando atenção antes mesmo de ser lançado.

A origem da plataforma é o Beats Music, que a Apple comprou no final do ano passado junto com toda a operação de eletrônicos e equipamentos de áudio da empresa homônima. Com a presença do astro da música Dr. Dre e do produtor Jimmy Iovine, a Apple espera atrair a simpatia das gravadoras na obtenção de acordos de licenciamento e exclusividade, além de garantir que artistas transformem a nova plataforma em um ponto de foco de atenção, assim como já fazem hoje com a iTunes Store.

Apesar disso, a Apple ainda tem um longo caminho a seguir. De acordo com os últimos dados oficiais divulgados, o Beats Music contava apenas com 250 mil usuários registrados. Não dá para prever com exatidão o que vai acontecer quando a plataforma for lançada, em junho, mas o Spotify tem certa vantagem nesse sentido. Atualmente, o líder na guerra dos serviços de streaming é o Pandora. Presente em apenas três países, o serviço foi um dos pioneiros do setor e acumula quase 80 milhões de ouvintes.

Fontes: CNET, The Wall Street Journal