Spotify agora quer negociar royalties diretamente com artistas independentes

Por Felipe Demartini | 07 de Junho de 2018 às 11h00
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O Spotify estaria trabalhando, nos bastidores, em um sistema de licenciamento direto para músicos e bandas independentes. A ideia da empresa seria reduzir os custos com direitos autorais ao efetuar o pagamento das execuções dos usuários diretamente aos artistas, que não mais precisariam de associações, agências ou selos para essas tarefas.

Os acordos seriam vantajosos, com a empresa oferecendo uma parcela maior de royalties por execução e, em alguns casos, até algumas centenas de milhares de dólares em pagamento antecipado para os músicos que escolherem assinar seu licenciamento diretamente com a plataforma. Não existe exclusividade envolvida e os artistas podem agir como desejarem, fechando contratos relacionados a todo seu portfólio ou a apenas algumas canções ou discos, se preferirem.

O direcionamento, entretanto, é claro: deixar associações e selos fora do negócio. De acordo com a reportagem da Billboard, para fazer isso o Spotify estaria oferecendo uma parcela de 50% do faturamento das execuções de faixas – é menos do que o pago hoje para as gravadoras, mas mais do que os artistas recebem, uma vez que no método “tradicional” o montante sempre é dividido entre os intermediários e os próprios músicos.

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Seria uma forma, então, de reduzir os gastos com licenciamento, há anos uma pedra no sapato do Spotify e um grande dificultador para que a empresa mantenha as contas em dia. O trabalho interno, com licenciamentos individuais, seria maior, mas o montante pago, no fim das contas, menor que o atual, principalmente quando se fala em artistas independentes ligados a associações que, também, costumam gerar bastante dor de cabeça e comentários na imprensa quando o assunto são os royalties.

É justamente por isso que todo o assunto está sendo tratado em tom de confidencialidade, com os músicos sendo abordados diretamente. Eles estariam sendo instruídos a, por exemplo, não dizerem que “assinaram” com o Spotify para evitar a ira das gravadoras e selos, e estaria permitindo também que os próprios músicos mantenham as gravações originais, algo que colocaria o serviço online à frente até mesmo das gravadoras tradicionais.

Os comentários sobre uma mudança desse tipo podem ser rastreados a declarações públicas do CEO do Spotify, Daniel Ek. O executivo já disse que a parceria com gravadoras e associações é essencial para a saúde não apenas dos artistas, mas também do mercado de streaming; por outro lado, ele também afirmou que esse segmento tem o poder de mudar as relações comerciais existentes no setor, sempre de olho no melhor acordo possível para os músicos.

A ideia é criar novas experiências e atrações que levam os músicos a um contato direto com o público, de forma a aumentar as execuções de músicas e o engajamento. Com isso, surge um trabalho mais eficiente junto às gravadoras, que representam os artistas na marcação de shows, ações de publicidade e outros eventos. O agenciamento de royalties, convenientemente, não foi citado nessa lista.

Se as afirmações estão relacionadas aos trabalhos dos bastidores ou só são parte de um discurso mais generalizado sobre a força das novas tecnologias, entretanto, fica a saber, pois o Spotify não comentou a reportagem. Acordos de licenciamento normalmente são mantidos longe dos olhos do público por conta de sua sensibilidade, e parece improvável que a empresa vá falar algo sobre este assunto agora, enquanto ele ainda permanece em negociação.

Fonte: Billboard

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