Napster atinge 3 milhões de usuários e aposta na nostalgia para ganhar espaço

Por Rafael Romer | 22 de Julho de 2015 às 10h05

Lembra do Napster? Sim, aquele antigo serviço de transferência peer-to-peer de arquivos, muito utilizado por internautas no começo dos anos 2000 para baixar músicas de graça na web. Pois é, ele ainda existe! Agora, no entanto, a empresa deixou o lado negro da força dos downloads piratas e foi para a legalidade: após ter sido adquirido pela Rhapsody, em 2011, a plataforma se transformou em um serviço de streaming de música por assinatura, semelhante a outros concorrentes conhecidos como Apple Music, Spotify e Deezer,

Mas apesar de carregar um nome de peso na internet, o Napster ainda tem muito chão pela frente para reconquistar seu espaço, mostrar que está de volta e que também quer cravar seu espaço no concorrido mercado de música sob demanda.

Nesta quarta-feira (22), a empresa anunciou que atingiu a marca de três milhões de assinantes globais. O número pode parecer modesto quando comparado a alguns concorrentes do setor - o Spotify, por exemplo, revelou que já conta com mais de 20 milhões de assinantes -, mas a taxa de crescimento do Napster mostra que o site não está para brincadeiras. Só nos últimos 12 meses, o serviço cresceu sua base de assinantes em 50%.

Mesmo com a base menor, o serviço também tem outra vantagem em relação a alguns de seus concorrentes. Atualmente, o Naspter utiliza um modelo de negócios 100% baseado em assinaturas pagas, sem nenhum conteúdo freemium. Isso significa que apesar do número menor de usuários, todos os assinantes da plataforma hoje se convertem em ganhos para a plataforma.

Parte importante do crescimento do serviço no último ano é decorrente da expansão do Napster para novos mercados fora dos Estados Unidos e Europa, algo que começou em 2013. Desde dezembro daquele ano atuando no Brasil, o site viu um dos seus crescimentos mais expressivos no mercado nacional, além de outros países latino-americanos, como a Colômbia. Hoje o serviço já está em 12 países na região.

"A América Latina era, até então, uma região não-explorada por nós e por nossos concorrentes", afirmou o diretor de desenvolvimento de negócios e marketing do Napster para a América Latina, Roger Machado, ao Canaltech. "Mas todo mundo olhou para cá, estudou, viu a penetração de smartphones, a densidade demográfica e o tamanho da oportunidade". No Brasil, por exemplo, 96% dos usuários ativos atualmente usam o Napster no mobile, comparado a 91% de usuários ativos globais.

A empresa não revela o número de assinantes por região, mas aposta no crescimento do Brasil como um dos países-chave para a plataforma no futuro. Apesar de ainda ser considerado um mercado "verde", ou seja, com muito potencial de crescimento, o país já é o quarto principal mercado global para o Napster em número total de assinantes - o Napster atua em 39 países atualmente.

A expectativa é que se o país continuar com o mesmo crescimento que tem visto desde o lançamento por aqui e nenhuma outra mudança repentina alavancar outras regiões na qual o Napster atua, em até 18 meses o Brasil poderá atingir o segundo ou primeiro lugar no ranking do serviço. "O Brasil tem capacidade mercadológica para ser o primeiro", opinou Machado. "A alta densidade demográfica, alta penetração de smartphones e a economia consistente, ainda que com seus desafios, é um mercado extremamente positivo".

Ainda assim, o serviço sofre com um problema sério na sua tentativa de ganhar mais espaço no mercado: o reconhecimento da marca. A própria empresa admite que a grande maioria dos internautas ainda não sabem da volta do Napster à ativa. E pior ainda: talvez menos ainda saibam que o serviço agora está oferecendo música por streaming.

Mas a empresa tem uma carta escondida na manga, que é uma das suas esperanças para conquistar um espaço maior entre os competidores: a nostalgia. Segundo Machado, o serviço está planejando diversos "programas" e ações de divulgação no segundo semestre deste ano para os mercados em que está presente. E parte importante dessa campanha é apelar para a conexão que diversos internautas do começo dos anos 2000 ainda fazem entre o nome Napster e o consumo de música.

"É um valor da marca, essa nostalgia permanece", comentou. "O bacana do Napster era que ele permitiu ouvir tudo o que queria e tudo que eu nem imaginava que existia, essa nostalgia é mais presente do que nunca, com quase 36 milhões de músicas. Nós vamos, sim, usar a nostalgia da nossa marca, não dá para ignorar esse legado".

O site também baseou sua estratégia de expansão na América Latina em parcerias com operadoras de telefonia. No Brasil, o Napster desembarcou com parceria exclusiva com a Vivo, que disponibiliza o serviço como uma oferta extra para clientes.

Replicados em mercados da Europa e nos Estados unidos, os acordos com operadoras permitem ao Napster abocanhar parte da base de clientes das empresas de telefonia, de olho em usuários que buscam algum tipo de serviço de streaming de música com a comodidade de pagamento embutido diretamente na conta de telefone, dispensando o uso de um cartão de crédito, por exemplo.

"A capacidade que a Vivo tem de comunicar, explicar e vender meu serviço é muito maior do que eu teria sozinho", explicou o executivo. "É claramente um diferencial da nossa estratégia".

Fique por dentro do mundo da tecnologia!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba diariamente as notícias por e-mail.