Líder do Radiohead compara modelo de negócio do YouTube com a Alemanha nazista

Por Redação | 02.12.2015 às 16:20

A revolta da classe artística com o modelo adotado pelos serviços de streaming não é nenhuma novidade. Já vimos várias brigas por conta disso, mas às vezes aparecem alguns cantores um pouco mais revoltados com tudo e bem mais radicais em suas opiniões. É o caso de Thom Yorke, vocalista da banda Radiohead, que decidiu demonstrar sua insatisfação com o Google e o YouTube, comprando-os à Alemanha nazista.

Em entrevista ao jornal italiano La Repubblica, ele reclamou sobre o modo como a companhia se apropria dos lucros dos artistas e que quem está realmente ganhando dinheiro com tudo isso são os criadores de serviço e não quem produz o conteúdo. Assim, ele diz que a Google se assemelha muito ao que o nazismo e outros governos fizeram durante a Segunda Guerra Mundial, quando começaram a roubar a arte de outros países. Para ele, não há nenhuma diferença entre o que a empresa e o governo alemão na década de 40 nesse aspecto.

Para Yorke, o modelo apresentado pelo YouTube fez com que as pessoas acreditassem que todo o conteúdo de entretenimento fosse gratuito. A música, o cinema e outras produções audiovisuais. Contudo, ele destaca que isso não é verdade e o problema é que quem faz aquelas obras não está recebendo o dinheiro pelo seu trabalho e que as grandes companhia — que ele sintetiza na figura da Google — estão levando tudo embora. Além disso, o líder do Radiohead disse não usar o YouTube e que instalou um aplicativo para bloquear qualquer tipo de anúncio caso caia dentro da plataforma de vídeos. Ele conta ainda que, para descobrir novas músicas, prefere usar o Boomkat, um site com produções menores e completamente fora da grande arena em que Google, Apple e Spotify se digladiam diariamente.

BIT TORRENT BUNDLES

Como o site Ars Technica aponta, a entrevista de Thom Yorke ao jornal italiano não especifica quanto o Radiohead recebeu pela execução de suas canções em plataformas digitais, o que torna um pouco mais complicado fazer qualquer avaliação sobre seus comentários. No entanto, levando em consideração que essa não é a primeira vez que o artista se pronuncia sobre o assunto, é de se imaginar que a situação pareça estar longe de chegar a uma conclusão.

No ano passado, o Radiohead lançou o álbum em parceria com o BitTorrent, mas o projeto foi um fracasso. Para Yorke, esse experimento serviu para mostrar que os artistas podem tomar o controle da linha de produção, mas que, para conseguir alguma relevância, ainda precisam se submeter às gravadoras e às suas regras.

Via: Ars Technica