Cerca de 80% do faturamento do Spotify é pago às gravadoras

Por Redação | 20 de Maio de 2015 às 11h14

Para os usuários, uma grande sacada; para as empresas do ramo, um nicho cheio de dinheiro do qual ainda mais notas podem sair. Em meio às polêmicas que envolvem um suposto baixo pagamento de royalties a artistas por serviços de streaming de música, o vazamento de um contrato entre o Spotify e a Sony veio para revelar exatamente qual o fluxo do faturamento oriundo da plataforma. E, no final das contas, ficou a conclusão que muita gente já desconfiava – não é exatamente a plataforma que deixa de pagar os astros da maneira correta.

O documento data de 2011, ou seja, pode não representar o acordo em andamento nos dias de hoje – que, possivelmente, tem números até maiores e potencialmente mais absurdos do que há quatro anos. Mas, lá atrás, a Sony parecia já saber da força que os sistemas de streaming tomariam no futuro próximo, já que, por contrato, concordou em receber cerca de 80% de todo o faturamento obtido pelo Spotify com as canções de seus artistas assinados.

Nomes de peso, como Britney Spears, Franz Ferdinand, Calvin Harris, Adele, Iron Maiden e Lady Gaga estão entre aqueles que fazem parte do portfólio da gravadora. Muitos deles, inclusive, estiveram envolvidos recentemente em polêmicas relacionadas ao pagamento de royalties, como foi o caso de Taylor Swift, que, inclusive, retirou suas músicas do Spotify justamente por esse motivo.

Segundo os documentos, o Spotify é obrigado a pagar de US$ 9 milhões a US$ 17,5 milhões por ano à Sony Music, de acordo com a expectativa de reproduções. Isso é feito no começo de cada período, ou seja, antes mesmo que as músicas efetivamente sejam tocadas. Caso isso aconteça em um volume maior que o pago, o serviço consegue recuperar o investimento. Essa taxa, se podemos chamá-la assim, não se traduz em royalties para os artistas, de acordo com o contrato.

Além disso, os papéis incluem uma cláusula que impede o Spotify de realizar acordos chamados de “premium” com gravadoras concorrentes. Na verdade, a empresa até pode fazer isso, mas caso o acordo seja frutífero, deverá rever o acordo de licenciamento e pagar valores semelhantes à Sony, com a adição de novas ações exclusivas ou não. Seria uma norma que impediria, por exemplo, a realização de lançamentos exclusivos como faz o Tidal, que anuncia isso como um de seus principais diferenciais.

Ainda, o contrato obriga o Spotify a vender espaços publicitários por um valor abaixo do padrão à Sony, para que ela possa atingir também os usuários da versão gratuita do serviço. O valor pago pela gravadora, aqui, fica entre US$ 2,5 milhões e US$ 3,5 milhões, mas dá a ela o direito até mesmo de revender as propagandas para terceiros, independentemente das políticas em vigor pelo serviço de streaming.

No fim das contas, fica a dúvida sobre quanto exatamente, de todo esse bolo, é repassado aos artistas. Mas, levando em conta as reclamações constantes deles, parece pouco. A estimativa atual é de que cerca de 70% do faturamento total do Spotify seja passado a gravadoras e detentores de direitos autorais e a empresa já disse que dificilmente poderia pagar valores acima disso. Mais do que isso, lembra a todos que não é sua responsabilidade fazer o pagamento aos músicos.

As informações, no final das contas, levantam até mesmo questões quanto aos acordos realizados com outros serviços, como o já citado Tidal, que tem o respeito aos artistas como uma de suas políticas. Parece improvável que esse tipo de situação seja exclusiva do Spotify e, aparentemente, há muito mais nos bastidores dessa história do que aquilo que é divulgado oficialmente ao público.

O Spotify e a Sony não se pronunciaram publicamente sobre o vazamento do contrato. O serviço de streaming tem evento marcado para esta quarta-feira (20) onde, espera-se, será anunciada sua nova plataforma de transmissão de vídeo sob demanda.

Fonte: The Verge

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