Cantores sertanejos estão pagando para entrar em playlists populares no YouTube

Por Redação | 24 de Novembro de 2017 às 12h03
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Qualquer pessoa pode criar uma playlist no YouTube. Basta selecionar vídeos já existentes na plataforma e adicioná-los a uma lista temática, que, ao ficar pública, pode ser acessada por qualquer pessoa que busque por aquele assunto. E a popularidade dessas listas de reprodução está criando uma nova forma de ganhar dinheiro: cobrar para que um artista tenha seu videoclipe adicionado a uma lista de muito sucesso.

Há listas com centenas de milhões de visualizações, e milhares de seguidores, que acabam se tornando cobiçadas por artistas que desejam impulsionar seu alcance no YouTube. É o que está acontecendo com diversos cantores sertanejos, que conseguem atingir um público ainda maior por meio desta prática – que não é ilegal, ao menos por enquanto.

Em entrevista ao G1, donos de playlists populares no YouTube explicaram como funciona a venda de posições privilegiadas em suas listas. O usuário criador de uma lista de reprodução não ganha nada do YouTube pelos acessos, sendo que pagamentos por anúncios nesses vídeos e por direitos autorais vão para os bolsos dos donos de cada vídeo, somente. Então, à medida que suas listas começaram a atingir milhares de espectadores, esses usuários começaram a receber pedidos de artistas para que seus clipes constassem ali e, então, identificaram a possibilidade de cobrar uma graninha pelo serviço.

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E esses donos de playlists não são nada bobos. Eles usam técnicas de SEO (otimização para ferramentas de busca) para que suas listas fiquem no topo dos resultados não somente pelo grande número de acessos, como também pela própria busca. Exemplo: quando alguém pesquisar por "sertanejo 2018", esperando os sucessos que estão pipocando para o próximo ano, quem tiver essas palavras-chave em suas playlists será beneficiado.

Playlist extremamente popular já coloca o ano de 2018 para atrair ainda mais visualizações (Reprodução: G1)

Vantagens para o artista

O artista que é um tanto quanto desconhecido, ou está fazendo sucesso apenas regionalmente, se beneficia com as playlists famosas. Afinal, fazer parte de uma lista com milhões de ouvintes é, nos dias de hoje, como ter sua música veiculada em uma grande rádio. Ao ter sua música em uma lista de alcance nacional, o artista leva seu trabalho a um novo grupo de pessoas, que acabaria conhecendo aquele artista somente por outros meios (que, possivelmente, exigiriam mais dinheiro para divulgação).

Os donos das listas explicam que existem critérios para vender uma posição em suas listas. No primeiro lugar, é preciso ter algum artista já famoso, para render aceitação. Há quem cobre até R$ 3 mil por mês para que um clipe fique no primeiro lugar de uma playlist popular, sendo que um empresário de artistas sertanejos, que pediu para não ser identificado, já pagou R$ 17 mil por mês para que um clipe ficasse em destaque no topo de uma grande playlist.

Empresa da Romênia já sacou o mercado das playlists no Brasil

O novo e lucrativo mercado das playlists brasileiras no YouTube já chamou a atenção de empresas internacionais. É o caso da RedMusic, empresa romena que administra dezenas de canais, cada um contendo centenas de playlists de estilos variados. E entre as dez listas de sertanejo que fazem mais sucesso no Brasil, somando mais de 2,64 bilhões de acessos, cinco delas são da RedMusic.

Ainda assim, a maioria dos artistas e empresários que já entraram nessa onda de pagar para ter um destaque em playlists de sucesso negam a prática. Segundo consta nos termos de uso da plataforma de vídeos, a prática não é proibida, não constando, ao menos por enquanto, nenhuma informação quanto ao mercado de playlists.

Mas pode ser que tudo isso seja regulamentado pela Google em breve. Afinal, o YouTube permite criar playlists sem nenhum tipo de dinheiro envolvido oficialmente, já que as listas não são vistas como publicidade. Contudo, comprar posições de destaque em uma playlist se assemelha à antiga prática do "jabá", quando artistas e gravadoras pagam para emissoras de rádio e televisão para que seus trabalhos sejam divulgados por ali. Sendo assim, podemos dizer que o mercado de playlists do YouTube é uma espécie de "jabá 2.0".

Fonte: G1

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