Apple Music promete melhorar pagamento a artistas a partir de 2020

Por Rafael Arbulu | 08 de Outubro de 2019 às 09h33

O Apple Music deve adicionar mais peso às rádios e ampliar a sua aposta no foco à compensação dos artistas a partir de 2020, segundo entrevista de dois executivos à Wired publicada nesta semana.

De acordo com Oliver Schusser e Zane Lowe, o Apple Music sempre priorizou os artistas e compositores musicais, o que eles preferem enxergar como um diferencial da plataforma em relação a outras empresas e serviços, como o Spotify e o Deezer. Para ambos, os concorrentes da Apple priorizam o usuário, esquecendo-se dos responsáveis criativos da mídia que veiculam.

“Imagine uma boate que abre irrestritamente das 21h até a meia noite. Ela se chama ‘Recém-lançados’. À frente da fila para entrar, você vê Drake, Taylor Swift, Beyoncé, Calvin Harris. A fila vai ficando maior e maior – já dá a volta no quarteirão, e todos os novos artistas estão lá no final”, exemplifica Lowe, que atua como diretor criativo da rádio Beats 1 e chefe de relações com artistas do Apple Music. Para ele, isso retrata o que artistas mais novos comumente passam na indústria fonográfica. “Quando você chega à porta, a casa está cheia”, finaliza.

Apple Music: serviço de streaming musical da Apple deve apostar em apresentações ao vivo e rádios com curadoria de artistas para 2020

A rádio Beats 1 roda o tempo todo, 24 horas por dia, dentro do Apple Music, com o diferencial de que os artistas têm seus próprios “programas”, com músicas curadas por sessões e horários conforme programação. Lowe diz que, essencialmente, o que o Apple Music faz é “dar ao artista a sua própria boate” e, segundo o executivo, o plano da empresa é ampliar isso: “Eu quero que mais pessoas ouçam e descubram essas coisas. E eu quero integrar o que fazemos na Beats 1 junto ao Apple Music com mais ênfase. Eu chutaria que ainda há assinantes que não sacaram que Elton John já fez mais de 200 shows. E esses shows são trabalhos de arte por si próprios”.

Lowe também espera que as transmissões de eventos ao vivo sejam mais evidenciadas no Apple Music. O serviço da Apple vem oferecendo performances pequenas, geralmente conduzidas por artistas emergentes, mas grandes nomes do mercado, como Shawn Mendes e Tyler the Creator, também já figuraram no serviço de streaming em apresentações ao vivo. “Quem sabe os fãs podem assistir e, em seguida, acessarem o álbum [do artista]”, sinaliza o executivo.

Schusser, que comanda a plataforma de streaming junto à Apple, endossa que as novas ferramentas do Apple Music servem de incentivo de compensação aos artistas. Ele nomeia, especificamente, uma chamada de pre add. Basicamente, ela consiste em pré-selecionar um álbum ainda não lançado para a sua playlist. Segundo Schusser, usuários que pré-selecionaram álbuns são quatro vezes mais propensos a adicioná-los definitivamente às suas listas, e 1,5 vez mais propensos a ouvi-los repetidamente.

"Nós pensamos que os artistas devem receber”, ele diz. “Estamos também adicionando créditos a compositores, não apenas músicos. Pensamos que a decisão de não fazer uma plataforma livre compensou, depois desses quatro anos. Não achamos que a música tem que ser gratuita”.

Fonte: Wired

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