Spotify ajudará a converter brasileiros para o streaming, diz diretor do Deezer

Por Rafael Romer | 28 de Maio de 2014 às 11h07

Para o diretor do serviço de streaming de música Deezer para a América Latina, Mathieu Le Roux, a chegada oficial do concorrente Spotify no mercado brasileiro vai ajudar o setor de conteúdo musical pago no país.

"Cada vez mais vemos brasileiros que entendem o modelo e se convertem para o streaming", opinou o executivo em entrevista ao Canaltech. "Eu acho que ajuda o fato de ter vários players, nenhum ator sozinho vai conseguir convencer 200 milhões de brasileiros a mudar. Ter muitas ofertas só melhora a qualidade dos serviços e aumenta a competitividade nos preços".

De acordo com Le Roux, a chegada do concorrente "é boa" e também deve incentivar a inovação entre os principais concorrentes no mercado brasileiro para oferecer novos produtos e integrações por meio de parcerias que diferenciem os serviços ofertados. A batalha principal, para o diretor, é contra outro adversário no setor.

"A coisa importante é que 90% das pessoas que a gente tenta convencer não são do concorrente, são de outras formas de ouvir música. E principalmente no Brasil, essa forma é o [download] pirata", explica. "O modelo de streaming remunera o artista e quer convencer o usuário que é um modelo melhor que piratear".

Com escritório fixo no país desde fevereiro de 2013, até hoje o Brasil tem a marca de ser o início de operação mais bem sucedido para o Deezer no mundo. Apesar de não falar sobre os números específicos para cada região, o Deezer divulgou na última semana que o Brasil é o segundo país mais importante para serviço, com 2 milhões de usuários ativos, atrás somente do país de origem, a França.

O serviço tem hoje cerca de 16 milhões de usuários, entre eles, 5 milhões de assinantes, nos 183 países no qual está presente.

Para manter a posição no Brasil, a empresa deve continuar apostando na integração de novos serviços e parcerias. No final do mês passado, o serviço passou a integrar o chamado Deezer Flow, um botão capaz de criar uma nova lista de reprodução baseada no seu comportamento e gostos músicais com apenas um clique.

Nos últimos meses, o serviço já anunciou parcerias de conteúdo para dispositivos da Samsung e com o Shazam, para compartilhar músicas diretamente entre os dois aplicativos. Também há expectativas de que o lançamento do Deezer no mercado norte-americano cause uma influência positiva na América Latina e acelere ainda mais a adoção por aqui.

Além disso, no Brasil a empresa ainda corre atrás daquelas que podem ser as parcerias mais importantes para o mercado: as operadoras de telecom. De acordo com o executivo, o Deezer continua em conversas com provedoras no país e acredita que o modelo deve ajudar o serviço a atingir um setor grande da população que ainda não tem acesso a cartões de crédito. "Nenhuma parceria no modelo que a gente acredita andou, mas esperamos que daqui um ano ou dois, isso mude", afirmou o diretor. Dos serviços de streaming, hoje o Deezer é o que tem mais parcerias fechadas com operadoras no mundo, com acordos em 30 países.

Para a região, Le Roux também acredita que é necessário manter um preço mais competitivo em relação aos praticados em mercados como a Europa. "Eu acho bom que a indústria musical deixou claro e aceitou, é um esforço que todo mundo fez na cadeia. Todo mundo se tocou que a América Latina não é Europa e a gente tem que ser mais acessível se quer atingir uma proporção da população maior", afirmou. A empresa, no entanto, não abre seus resultados financeiros na região.

Spotify

Após meses de especulação e atrasos, o Spotify anunciou oficialmente nesta quarta-feira (27) o desembarque do serviço no Brasil. Desde dezembro do ano passado, usuários brasileiros já podiam utilizar a plataforma gratuita do serviço, mas apenas com convites e sem acesso ao aplicativo móvel.

O plano inicial da empresa era lançar o serviço no Brasil ainda em setembro de 2013, mas atrasos envolvendo o sistema de cobrança em reais e as cotas de patrocínio adiaram a data.

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