Para continuar gratuito, SoundCloud vai começar a exibir anúncios

Por Redação | 22 de Agosto de 2014 às 12h40

Totalmente gratuito e dando a possibilidade para qualquer um hospedar suas próprias músicas – ou faixas de terceiros – é de se surpreender que o SoundCloud não esteja na mira das gravadoras e empresas de mídia. Muito pelo contrário, a plataforma acabou caindo no gosto de artistas justamente por sua liberdade, muitas vezes recebendo conteúdo exclusivo antes mesmo de serviços tradicionais como a Amazon e o iTunes. E, agora, é hora de crescer se monetizar, de forma a atrair mais investimentos e continuar com o serviço que vem agradando tanto.

De acordo com uma reportagem publicada pelo jornal americano The New York Times, o SoundCloud está prestes a adotar um novo modelo de monetização. A empresa diz que vai começar a pagar royalties aos artistas, exibir anúncios em sua versão gratuita e, no futuro, também contar com um serviço de assinaturas para os usuários avançados que desejarem se livrar deles.

O diretor do serviço, Alex Lljung, não esconde: tomou mesmo inspiração de outros serviços do tipo, como o Spotify, por exemplo. A diferença é que, no caso do SoundCloud, a audiência é global, com 175 milhões de pessoas ouvindo músicas regularmente todos os meses. As oportunidades, então, são gigantescas, tanto para as companhias do ramo quanto para a própria plataforma.

Foi justamente por isso que a empreitada começou, justamente, por meio de acordos com gravadoras e empresas de licenciamento. A ideia era tirar o SoundCloud da “ilegalidade” e garantir que ele passasse a oferecer conteúdo legítimo, mesmo quando hospedado por seus usuários. É, para a companhia, uma boa iniciativa também para artistas pequenos, que sobem seus próprios trabalhos e, agora, poderão coexistir com grandes artistas e até mesmo lucrar com as próprias faixas.

Entre os acordos estaria, por exemplo, a venda de cotas da companhia para empresas do setor, que em troca, concordariam em não processar o serviço por quebras passadas de direitos autorais. É uma ponte complicada, já que sempre se corre o risco de perder justamente o fator que diferencia o serviço dos outros, mas que a companhia está disposta a atravessar com sucesso.

Fator “cool”

São duas histórias bem distintas, mas que mostram bem o tipo de balança que, agora, a plataforma precisa manter equilibrada. De um lado, está a gigantesca porta aberta para milhares de artistas e o grande exemplo de Lorde, que segue hoje uma carreira meteórica na indústria, mas que começou com o upload de canções para o SoundCloud.

Do outro lado, está o renomado DJ americano Kaskade, que em junho, criticou o serviço após ter inúmeras faixas próprias retiradas do ar após avisos de quebra de direitos autorais. Em entrevistas na imprensa, ele disse estar abandonando a plataforma completamente e observar que ela está se modificando de maneira negativa, com o “tapete sendo puxado” sob os artistas enquanto a empresa busca maneiras de se regularizar e buscar monetização.

Soundcloud

Este seria o primeiro reflexo do recebimento de um investimento de US$ 100 milhões de firmas americanas, um dinheiro que seria voltado justamente para esses esforços. Até agora, a única renda obtida vinha por meio de taxas cobradas de alguns dos principais publicadores de conteúdo, que ajudavam a manter o site funcionando e o salário de seus funcionários – nada muito além disso.

É uma questão que, na verdade, tornou-se o grande enrosco para boa parte dos serviços de mídia. Os usuários querem conteúdo bom e gratuito, e na web, não têm o menor problema em migrar de uma plataforma a outra em busca das melhores opções. Caso as medidas não agradem, o risco é de perda da grande base de usuários construída ao longo dos anos, e esse é um perigo que nenhuma empresa deseja correr.

É por isso que o SoundCloud prefere ir mais devagar. Começando pelos bastidores, pela assinatura de contratos com gravadoras e licenciando conteúdo, a plataforma pretende exibir anúncios para começar a lucrar mais. Há todo um cuidado sendo tomado com relação a quem pode fazer propagandas, com empresas ligadas diretamente ao público sendo as primeiras escolhidas. Entre os nomes estão Comedy Central, Red Bull e Jaguar.

Grandes gravadoras, como Warner, Sony e Universal, ainda não teriam chegado a acordos, segundo as informações do New York Times. Para fontes ouvidas pelo veículo, o grande problema aqui é a esmagadora quantidade de remixes, covers e todo tipo de trabalho derivativo, que torna os acordos de licenciamento muito mais complicados.

Sobre esse assunto, porém, o SoundCloud prefere se manter calado e falar, sim, sobre o futuro. E, principalmente, sobre a certeza de que os usuários não vão abandonar a plataforma após as mudanças. “As pessoas sabem que [somos] uma plataforma para criadores”, explica o Lljung. “Ao ouvirem um anúncio, saberão que o criador está sendo pago também”.

Canaltech no Facebook

Mais de 370K likes. Curta nossa página você!