Futuro: streaming de música será dominado por um único serviço, afirma analista

Por Redação | 31.07.2014 às 06:40

Recentemente, o crítico da indústria fonográfica e analista Bob Lefsetz afirmou em um post em seu blog que, em um futuro próximo, o streaming de música será dominado por apenas um serviço. A afirmação gerou especulações sobre qual deles ocuparia esse posto.

O streaming de música na internet representou mais de 70% do consumo de música no primeiro semestre de 2014 nos Estados Unidos. E não se pode negar que Lefsetz está certo em afirmar a hegemonia de uma única marca no setor: exemplos são o Youtube em vídeo online, Facebook como rede social e Google em buscas.

Este tipo de domínio surge com o tempo e a indústria de streaming de música ainda não está madura a este ponto, afirma a análise do site Quartz. Entre os principais concorrentes do mercado há o Spotify e Pandora (que não oferece o serviço no Brasil), mas gigantes como Apple, Google e Amazon têm investido mais no setor. O mercado de streaming é um dos poucos que continua crescendo no negócio de música gravada, com aumento de 52% nos Estados Unidos no primeiro semestre do ano. Em contrapartida, o download de faixas digitais caiu 13% e as vendas de CDs quase 20%.

streaming grafico

Uma das grandes dúvidas levantadas é que tipo de serviço irá se sobrepor: se o “on-demand”, como o Spotify ou Deezer, ou o de rádio na internet, como o Pandora.

No primeiro caso o serviço permite que os usuários escolham músicas individuais e criem suas próprias listas de reprodução, normalmente com uma versão gratuita e uma versão com assinantes pagos. Neste campo se destaca o Spotify, com 10 milhões de assinantes pagos, mas entre os concorrentes então Rdio, Deezer e Rhapsody.

Já na opção de rádio pela internet, os usuários podem escolher artistas e gêneros, no entanto, a rádio gera a lista de reprodução. Pandora é líder neste segmento com 77 milhões de usuários.

Para dificultar ainda mais o mercado para essas empresas, gigantes da tecnologia também estão dispostos a entrar na briga. A Apple comprou o Beats Electronics por US$ 3 bilhões, o Google recentemente comprou o Songza, o Youtube também pode ser visto como uma opção para o futuro do mercado da música, principalmente se aderir às assinaturas. E a Amazon lançou recentemente o Amazon Prime Music. Entre as vantagens dessas empresas frente às destinadas exclusivamente ao serviço de música está o investimento com um potencial muito maior e pouca pressão de investidores para ganhar dinheiro com a música.

Para o professor adjunto na Universidade de Georgetown e vice-presidente do Future of Music Coalition, Casey Rae, é provável que quem se destaque neste mercado seja uma empresa com outras propriedades e que não dependa exclusivamente da plataforma streaming.

Entre as dificuldades encontradas por Spotify e Pandora estão as receitas ainda humildes, principalmente pelos custos de conteúdo. O Pandora, por exemplo, precisa pagar licenças de uso, assim como outras rádios. Isso faz com que o serviço tenha uma biblioteca muito menor – cerca de 1 milhão de músicas, comparado com mais de 20 milhões do Spotify, Deezer e Rdio. Neste caso, o serviço on-demand exige uma biblioteca mais vasta para atender diferentes públicos, além de negociar diretamente com gravadoras e editoras.

No ano passado, o Pandora pagou cerca de 50% da sua receita em royalties, enquanto o Spotify gastou aproximadamente 70% da receita com isso. Alguns acreditam no sucesso do Pandora baseado principalmente em anúncios direcionados a partir das informações dos usuários que a empresa possui. Mas também acreditam que mesmo que se estabilize com um mercado menor, a empresa terá uma demanda por seus serviços. Já os serviços de música on demand, que possuem um gasto ainda maior com royalties, parecem determinados a convencer as pessoas a pagarem por música e aumentar a base de assinantes, que até o momento tem sido a principal fonte de receita.

Com a concorrência de empresas como Apple e Google, que possuem mais recursos para royalties e investimentos sem que haja sucesso garantido, Rae garante que as chances estão a favor dessas grandes. Ao entrar nesse mercado, elas têm interesse em expandir receitas já existentes – como por exemplo, no caso do Google, aumentando o número de anúncios contextuais.

O futuro também depende da preferência do público entre “on-demand” e escuta passiva. Para o analista Lefsetz, on-demand irá dominar o mercado, mas iniciativas como Pandora terão seu público.

streaming grafico mercado

Segundo uma pesquisa recente do Credit Suisse, a partir de 2015 o mercado de música voltará a crescer após uma década e meia de queda. O streaming será responsável por 20% do setor.