Acabou a espera: Spotify é anunciado oficialmente no Brasil

Por Rafael Romer | 28 de Maio de 2014 às 16h27

Após meses de espera, finalmente um dos maiores serviços de streaming de música do mundo, o Spotify, anunciou sua chegada oficial ao Brasil na manhã desta quarta-feira (28). O Brasil é o 57º país do mundo a receber o produto localizado do Spotify, e o 18º na América Latina.

"Foi uma decisão da empresa de só lançar quando tudo estivese pronto. Claro que a gente gostaria de ter lançado antes, mas a experiência está pronta agora. Não considero um atraso, é o momento certo de lançar para as pessoas usarem e entenderem a proposta e para a gente ter o crescimento que temos falado", explicou Gustavo Diament, gerente geral do Spotify para a América Latina, durante a apresentação.

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Desde março o Spotify já estava disponível para testes entre usuários brasileiros que se cadastrassem no site. Segundo a empresa, um total de 400 mil inscrições foram feitas no período. Além deles, 250 formadores de opinião, entre eles artistas e músicos, também foram selecionados para ajudar na divulgação do produto. Um total de 200 mil downloads da plataforma foi feito no período.

Para a operação localizada, a empresa já está atuando com uma equipe local de curadores de conteúdo para criar playlists voltadas para o público nacional, parte importante da estratégia no país. "Isso é parte de nossa estratégia de diferenciação sobre conteúdo", explica. "A gente vai ter o mesmo empenho que temos com artistas internacionais com artistas locais".

Com um acervo de 30 milhões de músicas, o Spotify tem cerca de 1,5 bilhão de playlists cadastradas e 20 mil novas faixas são incluídas diariamente no sistema. Ao todo, a plataforma contabiliza um total de 4,5 bilhões de horas de música ouvidas, o que equivale a mais de 100 bilhões de streamings.

Para Diament, a experiência do lançamento no Brasil deve ser similar à atuação do serviço no México, focada principalmente no setor mobile. "A gente não pode abrir números ou previsões, mas acredita que o Brasil será um dos principais mercados no futuro próximo", disse.

Para lidar com as redes brasileiras, a ferramenta tem uma série de otimizações de tecnologia baseada em pacotes e buffering para garantir que o conteúdo em um dispositivo móvel continue em reprodução, mesmo que este deixe uma zona com cobertura de dados. Por enquanto, a empresa também não tem planos de instalar um data center local.

Pirataria

Assim como outros serviços de streaming no país, o Spotify sustenta que a briga principal não é um contra o concorrente, mas sim contra o download ilegal de músicas no país. "Nosso trabalho, mais do que market share, é aumentar a torta, como um todo. Market share em um mercado tão pequeno como hoje não tem sentido para a gente", afirmou.

Na Suécia, onde o serviço foi criado há seis anos por Daniel Ek e Martin Lorentzon, o número de downloads ilegais caiu 30% desde a chegada dos primeiros streamings.

Presente no evento de divulgação, o cantor e compositor Marcelo Jeneci acredita que o download gratuito de músicas é um aspecto cultural do país e não deve sumir tão cedo. “Eu acho a pirataria a cara do Brasil. A gente é da gambiarra e isso é uma sabedoria, não uma falha“, disse em entrevista ao Canaltech.

Para ele, o ambiente dos serviços de streaming ainda é um terreno desconhecido, mas um alternativa interessante de divulgação para novos artistas, assim como para usuários conhecerem músicos diferentes daqueles com que estão acostumados. "É uma alternativa, uma conquista que tem que ser preservada. Não acho o Spotify a solução do problema, mas acho uma nova alternativa, e quanto mais, melhor", afirmou.

Spotify

Os músicos Marcelo Janeci, Fernanda Takai e Gaby Amarantos, participaram do lançamento na manhã de hoje ao lado do gerente do Spotify para a América Latina, Gustavo Diament (Foto: Rafael Romer/Canaltech)

Modelo de negócio

Apesar da chegada atrasada, o serviço ainda não está completamente localizado para o país e ainda tem o preço da sua assinatura em dólares (US$ 8,99). De acordo com Diament, o serviço está trabalhando para adaptar o pagamento para meios locais, que deverá ser de R$ 14,90.

"A gente não conseguiu para hoje e decidiu que não valia a pena esperar, existia uma demanda e uma vontade muito grande do mercado e da gente de estar aqui. Mas essa mudança vai acontecer em um futuro bem próximo", explicou.

Para o mercado brasileiro, o serviço já fechou uma série de parcerias que deve suportar a versão gratuita com publicidade para usuários. Entre as empresas, estão marcas como Heineken, Fiat, LG, Nivia e Unilever. A empresa também deve anunciar ações com a Coca-Cola. No mundo, o Spotify já tem mais de 300 mil parcerias com marcas.

A empresa não abriu detalhes sobre como deverá ser o pagamento de royalties no país, mas o modelo deve seguir o mesmo utilizado no exterior – com acordos realizados diretamente com gravadoras. Desde sua criação, em 2008, o Spotify já pagou mais de US$ 1 bilhão para artistas. Só nos últimos 12 meses, o valor pago foi de 500 milhões.

Longo caminho

O Spotify passou por um caminho tortuoso antes de desembarcar hoje no mercado brasilero. Desde o ano passado, o serviço já deu vários indicativos que estava chegando por aqui, mas atrasos envolvendo o sistema de cobrança em reais e as cotas de patrocínio adiaram a data algumas vezes.

Os rumores se intensificaram em dezembro, quando o serviço anunciou que expandiria sua operação para 20 novos países, lista que incluía vários vizinhos do Brasil, como Uruguai, Bolívia, Peru, Paraguai e Colômbia. Na mesma data, o aplicativo oficial da versão brasileira do Spotify foi disponibilizado no Google Play, mas ainda com bloqueio para downloads com IP nacional.

Pouco tempo depois, a empresa começou a fase de testes do serviço entre usuários brasileiros convidados com um acervo de músicas bastante reduzido. Além disso, o serviço anunciou suas primeiras vagas para profissionais em São Paulo.

Na ocasião, o Spotify também introduziu sua primeira opção paga por aqui, o plano Premium, que dava acesso a músicas online e offline por US$ 5,99 mensais, valor abaixo do praticado no mercado norte-americano.

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