ZTE recebe autorização temporária para voltar a operar nos Estados Unidos

Por Felipe Demartini | 04 de Julho de 2018 às 09h40
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Quase três meses após seu banimento, a ZTE recebeu uma autorização preliminar para voltar a operar nos Estados Unidos. De acordo com informações ainda não confirmadas oficialmente, a empresa teria obtido uma permissão temporária para realizar atividades de manutenção a redes e equipamentos corporativos já instalados, bem como prestar assistência técnica a smartphones e outros dispositivos vendidos aos usuários finais.

Trata-se de um adiamento, ou seja, uma suspensão temporária do banimento imposto pelo governo americano aos negócios da ZTE no país, que vale entre os dias 2 de julho e 1º de agosto. Seria uma resposta positiva da administração às mudanças que a companhia vem fazendo em seu time de gerenciamento, o que inclui também a saída de diversos executivos de alto escalão.

Uma única saída foi confirmada oficialmente: Xu Weiyan, representante e supervisor de acionistas, estaria deixando a companhia por motivos pessoais. Entretanto, as informações extra-oficiais indicam que outros sete abandonaram a empresa, com partidas de efeito imediato e corte de todos os laços oficiais com a ZTE.

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Esse grupo incluiria até mesmo três vice-presidentes da empresa: Wang Keyou, diretor do departamento jurídico; Xie Jiepeng, executivo de finanças; e Ma Jie, responsável peplas operações de logística e fornecimento. As saídas não foram confirmadas, mas apenas o adiamento no banimento, por si só, já é um sinal de que medidas drásticas estão sendo tomada e, principalmente, sendo vistas com bons olhos pelo governo norte-americano.

A ZTE foi acusada de exportar peças e componentes eletrônicos ilegalmente para países como Coreia do Norte e Irã, algo que é proibido para empresas com atuação nos Estados Unidos. Em inquérito, o governo americano ordenou que a empresa agisse contra os responsáveis pela ação, mas depois, descobriu que a companhia mentiu sobre o assunto, demitindo apenas quatro executivos, mas entregando bônus de final de ano a outros 35 gerentes envolvidos na negociação irregular.

O resultado foi um banimento completo e com duração de sete anos, não necessariamente à ZTE, mas a todas as outras empresas americanas, que ficam sem poder realizar negócios com a marca. Na prática, dá basicamente na mesma e, sem acesso a componentes, peças, distribuição e outros serviços, a companhia anunciou que estaria encerrando suas atividades nos Estados Unidos.

Desde abril, quando a sanção foi imposta, a ZTE afirma estar em contato com o governo para derrubar o banimento, conversas que, agora, parecem estar dando frutos. Além das mudanças gerenciais, a fabricante concordou em pagar uma multa de US$ 1 bilhão e colocar mais US$ 400 milhões em uma conta de garantia até o cumprimento dos pedidos oficiais — este segundo passo, entretanto, não teria sido realizado pela empresa ainda, o que fez com que legisladores americanos se posicionassem contra, até mesmo, o adiamento agora aplicado.

Enquanto isso, na China, as ações da ZTE sofrem baixas sucessivas. Os papeis da companhia já perderam mais de 60% de seu valor desde o final de maio, com um total de US$ 11 bilhões em redução no valor de mercado. Na Bolsa de Hong Kong, a notícia da suspensão foi recebida com cautela, com a baixa sendo de apenas 0,5%, enquanto em Shenzhen, o clima foi de animação, com alta de 4%.

A ZTE, entretanto, não confirmou oficialmente sobre as mudanças gerenciais ou a suspensão no banimento. Da mesma forma, o governo dos EUA e, especificamente, seu departamento de comércio, não comentaram sobre o assunto.

Fonte: Reuters

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