Xiaomi é questionada por investidores sobre valorização reportada pela companhia

Por Redação | 13.01.2016 às 10:16
photo_camera BRUNO HYPOLITO / CANALTECH

Conhecida como “Apple chinesa”, a Xiaomi experimentou sucesso quase que instantâneo em várias partes do mundo, especialmente na Ásia, e atraiu a atenção de vários investidores. Antes a mais valorosa startup do planeta, agora a companhia enfrenta uma retração econômica e começa a ser pressionada por seus investidores por resultados melhores. As informações são do Wall Street Journal.

Para o ano passado, a companhia teria uma meta de vender 80 milhões de aparelhos, o que não foi alcançado. A quebra de expectativa parece ter chegado a quem investiu dinheiro na Xiaomi e que agora começa a questionar a valorização alegada pela empresa no final de 2014: segundo estimativas da própria companhia, ela valia US$ 46 bilhões. As cobranças vêm também porque a companhia levava em conta metas ainda não alcançadas para determinar este valor.

Some tudo isso à redução do crescimento econômico da China e problemas enfrentados pelo mercado de ações no país asiático e você tem um cenário ideal para cobranças rígidas por parte de investidores. E a própria expectativa em torno dos produtos da gigante asiática parece estar diminuindo — se antes era comum os estoques esvaziarem em questão de horas durante os eventos de venda, a Xiaomi já começa a comercializar seus produtos em outras lojas, o que é interpretado por especialistas como uma diminuição do interesse por parte do público.

Rivalidade e tecnologia

Além dos problemas de conjuntura econômica e mudança na estratégia de vendas, há ainda a questão da concorrência: a Huawei investiu em aparelhos de ponta e conseguiu tomar da Xiaomi o posto de principal vendedora de portáteis da China no último trimestre em 2015, vendendo ao todo mais de 100 milhões de gadgets nos últimos 12 meses.

Outro calo no sapato da Xiaomi seria a ausência de tecnologia de ponta própria. Casos de superaquecimento dos Snapdragon 810 colaboraram para diminuir o hype em torno dos gadgets da chinesa. Por fim, a dificuldade em ampliar a diversidade do seu público (que é majoritariamente composto de homens chineses entre 18 e 30 anos) também está entre os desafios a ser superado para voltar a dar alegria aos investidores.

Em suma, apesar do preço médio dos aparelhos da Xiaomi ter diminuído (de US$ 160 para US$ 102) em comparação com o restante do mercado chinês (que aumentou de US$ 202 para US$ 240), a empresa tem parado em suas próprias catracas. Resta aguardar os próximos meses e ver qual a saída encontrada pela “Apple chinesa” para satisfazer aqueles que apostam alto em seu sucesso.

Fonte: Wall Street Journal