Xiaomi: como a chinesa se cerca de startups para ter boas ideias

Por Rafael Romer | 09 de Julho de 2015 às 14h31

Só no primeiro semestre deste ano, a fabricante chinesa Xiaomi anunciou que já vendeu 37 milhões de novos smartphones. O número é impressionante, mas ainda assim a empresa insiste no mesmo discurso: mesmo com as enormes vendas, a Xiaomi ainda é uma startup. É verdade que é difícil imaginar uma startup que em pouco mais de cinco anos pulou da inexistência para o terceiro lugar no ranking mundial de fabricantes de smartphones, mas o argumento da empresa de Lei Jun permanece.

E em alguns aspectos, Jun tem razão. A operação da companhia é relativamente enxuta e reservada a alguns mercados específicos, com uma expansão focada de país em país. E apesar de fabricar de televisores inteligentes a câmeras pessoais, a companhia costuma trabalhar em um produto específico por vez, com um modelo direto de vendas e apoiado em uma estratégia forte de presença nas redes sociais.

Em uma conversa com a imprensa nesta semana, durante sua visita ao Brasil para a inauguração das operações da companhia por aqui, o vice-presidente internacional da Xiaomi, Hugo Barra, falou um pouco mais sobre como a empresa utiliza o apoio de startups para expandir seu ecossistema de serviços e portifólio de produtos.

De acordo com Barra, hoje a Xiaomi tem apenas três verticais internas de desenvolvimento, seus chamados "produtos de plataforma": suas linhas de smartphones, SmartTVs e roteadores inteligentes. Mas além das três linhas próprias, a companhia vende hoje diversos outros produtos, todos originados de um ecossistema de startups criado pela Xiaomi, como sua pulseira inteligente Mi Band, o carregador Mi Bank, os produtos de áudio e a câmera de ação Yi.

"A gente não faz todos esses produtos internamente, senão nós teríamos que ter uma equipe gigantesca e o foco da liderança na empresa ficaria muito diluído. A gente ia perder o foco", comentou o executivo. "Então a gente criou um ecossistema de startups que a gente mesmo banca", afirmou. "Hoje já são mais de 40 empresas dessas — a maioria ainda está escondida, os produtos não saíram ainda. Mas tem coisas mirabolantes vindo por aí".

Para criar novos produtos, a empresa literalmente cria suas próprias startups autônomas ao seu redor: reunindo experts em um produto específico, investindo dinheiro na empresa e deixando a nova companhia desenvolver as próprias criações de forma independente. Se o projeto der certo, a Xiaomi conecta a nova startup à sua cadeia de suprimeiros e time de design industrial. Os melhores produtos, então, são vendidos com a marca Xiaomi através de seus canais próprios e acabam virando o carro chefe dessas novas startups.

"Se der certo, bomba porque está no canal de distribuição com um alcance altíssimo. Se o produto não for bom, a empresa acaba", explicou Hugo. "Então o cara está super motivado a trabalhar focado para que aquele produto tenha sucesso. Se tiver sucesso, ele vai levantar muito, fazer um IPO... e ganha só se o produto bombar. Se fosse um departamento dentro da Xiaomi e tudo desse errado, ele poderia não trabalhar tão pesado porque a dependência do sucesso dele não seria tão grande em relação ao sucesso do produto".

Um desses produtos que deverão desembarcar por aqui é a câmera de ação da empresa Yi, que concorre diretamente com a GoPro. Barra não deu nenhuma data específica para a chegada do equipamento, mas afirmou que vai esperar a estreia da segunda geração do dispositivo antes de trazê-la para o Brasil.

Por enquanto, o projeto só existe na China, mas Barra afirma que o modelo pode ser "global". "Ainda não vamos fazer [no Brasil], mas estamos abertos", comentou.

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