Xbox One, Scorpio e Windows 10: por trás do ecossistema de jogos da Microsoft

Por Durval Ramos | 27.07.2016 às 08:54

A ideia de um ecossistema integrado não é nenhuma grande novidade para a Microsoft. Desde o lançamento do Windows 10, a empresa vem dando indícios e passos tímidos em direção a esse estreitamento das relações entre seu sistema operacional e o Xbox One. Com isso, as duas plataformas passam a dialogar e a compartilhar recursos, acabando com o abismo que as separavam até então.

Porém, foi somente depois da última E3 que esse ambiente integrado realmente se consolidou. Ao longo de sua conferência, a Microsoft apresentou diversas novidades que mostram como o cenário vai ser diferente daqui para frente, fazendo com que PCs e Xbox sejam quase que a mesma coisa. Bom para o consumidor e ainda melhor para a companhia, que contará com uma base de usuários ainda mais vasta.

A lógica por trás dessa estratégia é simples. Enquanto o Xbox One sofre para alcançar o PlayStation 4 — tanto que a empresa desistiu de revelar números de vendas em seus relatórios fiscais —, o Windows 10 segue comemorando os bons resultados ainda em seu primeiro ano de mercado. Até o último mês de junho, já eram mais de 350 milhões de usuário ativos em todo o mundo. Em outras palavras, 350 milhões de consumidores em potencial para os jogos da Microsoft Studios.

Xbox

Por outro lado, o fato de a empresa ter mostrado todos os seus planos de uma só vez durante a última E3 deixou muita gente confusa. Não se trata mais apenas do Xbox One e do Windows 10, mas também dos vindouros Xbox One S e Project Scorpio. A integração é realmente muito interessante, mas ela ainda parece não estar clara para muita gente — e é por isso que queremos esclarecer um pouco do que está por vir.

O Windows 10 e seu consoles

Antes de qualquer coisa, é preciso entender como o seu Xbox One e o Windows 10 vão se comunicar. Falamos que a ideia é criar um ecossistema único de modo que as duas plataformas de aproximem ainda mais, mas pouco foi dito sobre como isso vai ser feito.

A ideia é realmente que um seja a extensão do outro, o que significa que você pode começar a jogatina no seu PC e migrar para o videogame sem qualquer complicação — e vice-versa. Isso inclui levar tanto os controles de um lado para o outro quanto os seus saves, tornando tudo o mais prático possível.

É uma alternativa diferente da função streaming que já existe no app do Xbox no Windows 10, pois não se trata de simplesmente replicar a tela do console no seu PC pela internet. A relação aqui vai além, fazendo com que você não dependa do videogame. PC e Xbox One passam a coexistir, mas sem que haja uma dependência entre eles.

Xbox One

E o primeiro passo para isso é a unificação das lojas. Ao comprar um game no seu Xbox One, ele também pode ser baixado no Windows 10. É a mesma lógica do Cross-Buy que a Sony já havia adotado entre o PlayStation 3 e o Vita, mas com um apelo muito maior. A partir do programa Xbox Play Anywhere, essa integração vai envolver grandes lançamentos e em plataformas realmente populares.

Como anunciado durante a E3, os principais títulos da Microsoft Studios vão chegar sob essa lógica, o que inclui Gears of War 4, Forza Horizon 3 e Scalebound. E, mais importante do que apenas deixar o jogador escolher onde jogar, o Xbox Play Anywhere também vai permitir que usuários das duas plataformas participem de partidas multiplayer sem complicações. Como dito, a ideia é tratar tudo como uma coisa só — ainda que isso dependa também dos desenvolvedores.

É claro que ainda restam alguns desafios a serem vencidos. Exemplo disso é que nem todos os games do Xbox One estarão disponíveis no Windows 10. A empresa citou os principais, mas deu a entender que as desenvolvedoras podem optar por não disponibilizar essa portabilidade, assim como games já lançados devem continuar de fora. Além disso, somente games comprados digitalmente vão oferecer a opção do segundo download, o que exclui quem ainda se mantém fiel às caixas de plástico.

Integração de serviços

Com Windows 10 e Xbox One tão próximos, era de se esperar que eles tivessem muito mais em comum do que apenas essa facilidade de rodar jogos. E, segundo a Microsoft, há realmente mais novidades a caminho, principalmente no que diz respeito a serviços.

Controle Xbox

A Xbox Live, por exemplo, também vai ser disponibilizada nos PCs, permitindo que os jogadores possam conversar com seus amigos e organizar grupos também pela tela do computador. Já o Arena vai facilitar essa comunicação entre plataformas, principalmente na hora de organizar campeonatos e eventos mais focados na parte competitiva da coisa.

Já no sentido oposto, o Xbox One vai receber a Cortana. Trata-se de uma evolução daquilo que o console já tinha com o Kinect, mas a assistente de voz promete tornar essa navegação mais simples e intuitiva — ainda que continue dependente do Kinect. Os apps do Windows também devem chegar ao console para fundamentar ainda mais essa integração também na parte multimídia, por exemplo.

A chegada da versão Slim

A partir da próxima semana, a família Xbox One vai ficar um pouco maior graças à chegada da versão Slim do console. O Xbox One S foi outra das novidades que a Microsoft apresentou na E3 e traz uma versão melhorada do console. E é aqui que começa a confusão de muita gente.

Xbox One S

Por ser um novo console, muitos usuários passaram a acreditar que ele teria alguma exclusividade ou restrição em relação ao ecossistema proposto. No entanto, a empresa fez questão de dizer que não, que o Xbox One S será capaz de fazer tudo aquilo que o Xbox One já faz e passará a fazer. Trata-se, portanto, apenas de trazer pequenas melhorias técnicas aqui e ali.

O destaque fica no design 40% menor e na possibilidade de finalmente deixar o aparelho na vertical. Disponível em versões que vão de 500 GB a 2 TB, o máximo que o Xbox One S oferece de inédito é suporte a vídeos em 4K. Já os jogos continuarão na resolução de 1080p.

A única limitação do Xbox One S é em relação ao Kinect. Provando que a Microsoft realmente desistiu do sensor, a nova edição do console não possui entradas para o periférico, exigindo um adaptador especial para seu funcionamento. Isso significa que a Cortana fica um pouco menos acessível na versão Slim.

Por outro lado, integração com Windows 10, retrocompatibilidade, novos controles e todos os demais acessórios e funções já existentes vão continuar operando normalmente.

O misterioso Scorpio

Já com o Scorpio, a coisa muda um pouco de figura por conta do grande mistério em torno dele. A Microsoft comentou muito pouco sobre ele, se limitando a dizer que se trata de uma grande atualização do Xbox que deve chegar às lojas no final de 2017. O grande destaque é que ele é realmente muito mais potente do que qualquer console que temos atualmente, a começar pelo fato de que ele realmente conseguirá rodar seus jogos em 4K.

Scorpio

Outro ponto confirmado é que ele contará com 6 teraflops de potência, o que garante um poder de processamento absurdo. Levando em conta que um flop é uma unidade de medida que indica o quanto um sistema consegue calcular em um segundo, a poder de fogo apresentado pela Microsoft significa que o Scorpio fará cerca de 6 trilhões de cálculos enquanto você pisca. Em outras palavras, é muita coisa.

Apenas para você ter uma ideia, a monstruosa NVIDIA GTX 1080 tem absurdos 8,9 teraflops. Assim, por mais que o Scorpio fique atrás da placa de vídeo, ele conseguirá ser mais potente do que o vindouro PlayStation 4 Neo, que deve contar com “apenas” 4,14 teraflops.

E é exatamente por ser tão potente assim que é difícil imaginar que o Scorpio vai ignorar os recursos que o Xbox One já conquistou. Ainda que a Microsoft não tenha confirmado nada, a retrocompatibilidade e a integração com o Windows 10 são apostas mais do que certas para o console. Mais do que isso, é possível que ele traga alguns extras, como suporte total a óculos de realidade virtual ou que esteja pronto até mesmo para o HoloLens.