WikiLeaks libera ainda mais documentos vazados da Sony

Por Redação | 22 de Junho de 2015 às 15h36

Já se passavam mais de seis meses desde que a Sony sofreu com a maior brecha de segurança de sua história e, para muita gente, incluindo seus próprios executivos, o caso parecia esquecido. Mas eis que o WikiLeaks volta à carga, anunciando, no final da última semana, a liberação de mais documentos relacionados à invasão hacker que a companhia sofreu no final de 2014.

O banco de dados, que já era bastante extenso e está disponível online para quem quiser consulta-lo, ganhou agora mais 276,3 mil documentos “novos”. Da lista de inclusões, fazem parte trocas de emails entre funcionários da empresa, arquivos privados que estavam hospedados nos servidores, calendários de viagens realizados, listas de gastos e até relações de contatos que vão desde pessoal de apoio até executivos-chefe da Sony Pictures.

Os novos arquivos, por exemplo, revelam uma parceira entre a produtora e a Apple, realizada em 2013, para testes de streaming de conteúdo com resolução 4K. Não é de hoje que se comenta que a Maçã estaria interessada em pisar no terreno do Netflix e outras companhias do tipo lançando seu próprio serviço de televisão sob demanda.

Até mesmo o uso da altíssima resolução seria uma novidade para os serviços atuais da empresa, uma vez que nem mesmo a loja iTunes ou o Apple TV entregam conteúdos desse tipo. Nos documentos vazados, está um acordo formal realizado entre a empresa de Cupertino e a Culver Digital Distribution, uma subsidiária da Sony Pictures, que liberou conteúdos em 4K para fins de experimentação.

Assinam o acordo nomes como Eddy Cue, vice-presidente sênior de Softwares e Serviços da Maçã, e Jim Underwood, diretor de estratégias comerciais do braço da produtora para home vídeo, na época, e hoje um dos líderes dos esforços do Facebook no campo do entretenimento. O contrato data de 26 de setembro de 2013 e não tem uma duração estipulada — ou seja, os testes podem ainda estar ocorrendo e, quem sabe, envolvem também outras produtoras do mundo do cinema.

O diretor do WikiLeaks, Julian Assange, não comentou sobre a nova disponibilização de dados. Em abril, quando o primeiro “lote” de documentos foi colocado online em um site dedicado, permitindo a busca direta, ele afirmou que a ideia, ali, não era revelar segredos corporativos, mas as relações íntimas da Sony com outras multinacionais, além de seus contatos e influências com o governo dos EUA e de outros países.

O vazamento dos dados foi o epicentro de problemas diplomáticos entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, a quem o presidente Barack Obama atribuiu a autoria dos ataques. Apesar de o país asiático ter negado veementemente tais acusações, o governo americano manteve a hipótese de que o golpe teria relação com a estreia de “A Entrevista”, filme em que uma dupla de jornalistas — interpretada por James Franco e Seth Rogen — tem uma missão de assassinar o ditador Kim Jong-un.

Rumores apontam também a saída de Amy Pascal, uma das diretoras da Sony Pictures, como um reflexo direto do vazamento dos documentos. Em meio aos arquivos, comunicações entre ela e o produtor Scott Rudin acabaram revelando comentários racistas e críticas pessoais a diversas celebridades, além de uma desigualdade no pagamento a protagonistas dos gêneros masculino e feminino, sem que os envolvidos fossem informados sobre isso.

Fontes: Newsweek, Apple Insider

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