Waymo desiste de grande parte do processo contra a Uber

Por Redação | 07.07.2017 às 16:44

Em uma virada inesperada em um dos casos mais comentados do mundo da tecnologia, a Waymo, uma empresa do grupo Alphabet, retirou três das quatro alegações de uso não-autorizado de patentes pela Uber. A mudança acontece em meio a um processo complicado que envolve também o roubo de tecnologias relacionadas aos carros autônomos das duas empresas.

As acusações que foram derrubadas têm a ver com as tecnologias de “lidar” – o sistema de lasers usados pelos veículos para que possam detectar objetos e obstáculos ao redor. A Uber trabalha atualmente com dois protótipos, de codinome Spider e Fuji, com todas as alegações de uso não-autorizado de patentes em relação ao primeiro sendo deixadas de lado pela Waymo.

Isso acontece após análise das tecnologias empregadas pela rival, algo que foi autorizado após ordem dos juízes responsáveis pelo caso. Ao entregar a tecnologia Spider para estudos, a Uber afirmou que o projeto não foi adiante e encontra-se abandonado, um dos motivos pelos quais as alegações da Waymo foram abandonadas. Enquanto isso, a versão Fuji, atualmente em desenvolvimento, utiliza um sistema de lentes diferente do criado pela Alphabet, o que também indicaria que não houve quebra de propriedade intelectual.

Entretanto, a empresa decidiu derrubar apenas as alegações relacionadas à primeira, que constituíam boa parte do processo, mantendo as da segunda mesmo contra as recomendações do juiz William Alsup. Ele alertou a Alphabet a retirar todas as queixas, caso contrário, terá que “tirar um coelho da cartola” para garantir vitória na ação.

Foi uma declaração amplamente aproveitada pela Uber, que após se ver em uma posição negativa em relação a todo o processo, voltou a enxergar um horizonte. Em declaração oficial, a companhia afirmou que a retirada das alegações é mais uma prova de que a Waymo exagerou em suas acusações, e agora que a verdade está vindo à tona, está trabalhando a opinião pública contra a rival, usando de teorias da conspiração e argumentos infundados.

Além disso, a plataforma de transportes parafraseou as conclusões da própria Waymo de que não mais usaria a tecnologia Spider. Por fim, criticou a manutenção do processo afirmando que a rival não tem chances de ganhar e que a plataforma Fuji é fundamentalmente diferente, algo que, agora, deve ser provado judicialmente.

Em resposta, a Waymo disse apenas que a decisão de abandonar parte das alegações tem a ver com tornar todo o processo mais simples em um vindouro julgamento, marcado para acontecer em outubro. A empresa disse confiar nas declarações da Uber de que não mais usaria a tecnologia Spider, mas não descartou a possibilidade de voltar aos tribunais caso perceba qualquer indício de que isso não é verdade.

As acusações de quebra de patentes fazem parte de um processo maior, movido pela Waymo contra a Uber e em andamento desde fevereiro. A principal questão aqui é a posse de 14 mil documentos relacionados às tecnologias de veículos autônomos por Anthony Levandowski, ex-funcionário da empresa que, ao sair dela, fundou uma startup, mais tarde comprada pela Uber.

Ele teria levado consigo boa parte das pesquisas relacionadas, com a Waymo afirmando que esse foi o verdadeiro motivo para a compra de sua recém-fundada companhia. Apesar de ter demitido Levandowski, a Uber nega todas as acusações e, em resposta recente, disse inclusive que a oponente não foi capaz de produzir uma única prova de todas as alegações que tem feito.

Fontes: Bloomberg, Ars Technica