Watson, o supercomputador da IBM, será usado para combater o cibercrime

Por Redação | 10 de Maio de 2016 às 19h21
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Um dos supercomputadores mais conhecidos do mundo, o Watson já provou seu potencial ao ser capaz de realizar pesquisas para ajudar na cura do câncer, aprender outros idiomas (além do inglês, sua língua nativa) e até derrotar seres humanos em um jogo de perguntas e respostas. Agora, a super máquina da IBM terá uma ambiciosa tarefa para este ano: combater o cibercrime.

De acordo com um comunicado oficial divulgado nesta terça-feira (10), trata-se de um projeto da IBM Security em colaboração com oito universidades, entre elas instituições em Nova York, Pensilvânia e Massachusetts. Batizada de Cyber Security, a iniciativa apresenta uma nova versão da tecnologia cognitiva do Watson baseada na plataforma de nuvem Bluemix, que ficará encarregada de reunir todo o conhecimento possível sobre ameaças virtuais para treinar o supercomputador.

Há cerca de um ano, especialistas da IBM têm ensinado o Watson o que eles mesmos chamam de "linguagem de cibersegurança". A máquina é alimentada com milhares de documentos para que ela possa compreender a dimensão de elementos como vulnerabilidades, mensagens de spam, malware e brechas digitais. O objetivo é que a cada mês, mais de 15 mil novos documentos sejam inclusos na inteligência artificial do Watson.

"Essencialmente, o que estamos fazendo é treinar o Watson não apenas para entender tais documentos existentes, mas para adicionar contexto e fazer conexões entre eles", destacou Kevin Skapinetz, diretor de estratégia para a IBM Security.

Todo tipo de informação é válido: desde trabalhos de pesquisa e notícias até textos em blogs, reportagens, alertas, livros e postagens em redes sociais sobre as ameaças cibernéticas mais recentes. Também serão adicionados matérias da X-Force, livraria que reúne 20 anos de pesquisas em cibersegurança, incluindo detalhes sobre 8 milhões de spam, ataques do tipo phishing e mais de 100 mil documentos vulneráveis.

Watson

Para aumentar a eficácia desse novo sistema de aprendizado, os estudantes das universidades selecionadas vão colaborar no projeto ao inserir no Watson os dados que ele ainda não pode estruturar por si mesmo – por exemplo, relatórios mais elaborados ou documentos que ele não consegue interpretar de forma independente.

Segundo a IBM, essa nova função do Watson abre toda uma oportunidade de negócio para ajudar profissionais de segurança em seu trabalho diário. Uma das apostas da companhia é que a tecnologia poderá reduzir as taxas de erros na hora de detectar novas ameaças, além de transformar os centros de operações de segurança corporativa nas empresas.

"Mesmo que a indústria consiga preencher 1,5 milhão de empregos na área de segurança cibernética até 2020, ainda teríamos uma crise em habilidades relacionadas a esse setor", disse Marc van Zadelhoff, chefe da IBM Security. "Ao elevar a capacidade do Watson em trazer esse contexto [de segurança] para enormes quantidades de dados não estruturados, que por sua vez são impossíveis de uma pessoa normal processar, vamos trazer novos insights, recomendações e conhecimentos para os profissionais de segurança", completou.

Ainda neste semestre, a IBM começará a trabalhar com alunos das seguintes instituições: Universidade Politécnica do Estado da Califórnia em Pomona, Penn State, MIT, Universidade de Nova York e Universidade de Maryland – todas nos Estados Unidos. Também vão participar as universidades canadenses de New Brunswick, Ottawa e Waterloo. Uma versão beta dos resultados será implementada no final de 2016, quando deve ser iniciado um serviço de nuvem chamado "Watson for Cyber Security".

"Você pode ver por que mesmo os melhores analistas estão perdendo muito da informação que se encontra por aí. O que nós estamos buscando fazer é excluir um pouco de trabalho e adivinhação e ajudar analistas a entenderem melhor o contexto com um orientador sempre disposto que possa ajudar a investigar e responder questões", concluiu Skapinetz.

Fonte: IBM via Fortune, Wired

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