Watson IBM: de supercomputador para super serviço de computação em nuvem

Por Rafael Romer | 23 de Junho de 2015 às 16h57

Quando lembramos do projeto de computação cognitiva Watson da IBM, a primeira imagem que vem à cabeça de muitos é o episódio do famoso programa de perguntas e respostas norte-americano Jeopardy, no qual um computador com uma inteligência artificial que parecia ter saído de um filme de ficção científica derrotou dois outros jogadores humanos dando respostas precisas sobre temas variados como cinema, literatura e arte.

Mas esqueça essa imagem. O Watson hoje vai bem além de ser só uma plataforma capaz de entender a linguagem humana e processar dados rapidamente e, segundo a IBM, ao contrário do que todos imaginam, não é mais apenas um supercomputador.

"Quando eu falo em computação cognitiva, não é um supercomputador. É um serviço na nuvem", explicou o líder do IBM Watson para o Brasil e América Latina, Fábio Scopeta. "[O Watson] É um super serviço de computação, mas vai muito além disso. A questão não é mais o hardware.".

Nesta semana, o Watson vestiu terno e gravata para mostrar sua melhor cara corporativa na maior feira do setor de tecnologia bancária da América Latina, a Ciab Febraban, em São Paulo. Durante o evento, os executivos da área puderam conhecer um pouco mais o projeto, que já está presente em iniciativas de bancos em países como Austrália, Espanha, África do Sul e México.

Os primeiros passos do Watson no Brasil também já estão sendo dados no setor financeiro, em um projeto iniciado em outubro do ano passado pelo Bradesco. Até o final do ano, o Watson já estará fluente em português, sua terceira língua após o inglês e japonês, e pronto para ser utilizado no setor de telemarketing do banco.

Por aqui, a ideia é que o Watson desempenhe a sua função apelidada de DeepQA, que permite que ele colete informações e aprenda sobre o sistema financeiro do Bradesco para, em seguida, dialogar com pessoas sobre o assunto. No primeiro momento, o seu trabalho será auxiliar funcionários do atendimento do banco, fornecendo informações e dados relevantes para o contato com cada cliente. A ideia é que o projeto vá além: conforme o Watson amplie seu conhecimento dentro do banco, o plano é que ele também passe a atender as próprias ligações.

Watson

Para líder do Watson na América Latina, plataforma não é mais um supercomputador, e sim um super serviço em nuvem (foto: reprodução)

Para onde vai o Watson?

Mas a realidade é que o Watson não se limita só à análise de dados e aplicações para perguntas e repostas: o DeepQA é apenas um dos serviços do Watson disponibilizado pela IBM através da Blue Mix, a plataforma de desenvolvimento em nuvem do serviço. Atualmente, existem mais de 40 serviços cognitivos possíveis para o projeto, que não para de crescer.

"A grande ideia por trás dos sistemas cognitivos é que eles ampliem a capacidade cognitiva do ser humano", afirmou o executivo. "No futuro, os tipos de problemas que o ser humano terá que resolver serão tão complexos que todos nós tomaremos alguma decisão com suporte de um sistema cognitivo".

Segundo o executivo, a ideia central do Watson é que os sistemas computacionais passem a trabalhar o mais próximo possível a forma com que um ser humano pensa: comprendendo linguagem natural, aprendendo informações sem a necessidade de ser programado e gerando hipóteses baseadas no seu aprendizado.

E com o avanço de tendências como a da Intetnet das Coisas, a expectativa é que o projeto ganhe ainda mais capacidades: se hoje o Watson é capaz de ler documentos online, em breve ele começará a enxergar coisas no mundo real através de câmeras. Através de sensores, ele poderá sentir cheiros e sentir mudanças na temperatura. Com microfones conectados, ele poderá ser capaz de ouvir e interpretar diversar conversas ao mesmo tempo. "Ele vai ficando mais inteligente, tendo um racioncínio mais próximo do ser humano e tendo os mesmos sentidos", comentou Scopeta.

Nesse ponto, já é possível começar a imaginar o potencial do Watson de se tornar algumas espécíe de inteligência artificial utilitarista que poderia se voltar contra humanos, nos moldes de personagens da ficção como Skynet e Hal 9000, mas o executivo da IBM garante: sempre haverá um fator humano permeando a evolução do Watson.

E o fator humano é fortemente presente no projeto. Grandes empresas, startups, estudantes ou qualquer outro grupo de pessoas podem hoje ter acesso às APIs do Watson através da sua nuvem de desenvolvimento para criação de novas aplicações especializadas em diferentes áreas, como educação, financeira, médica ou até governamental.

"Hoje o pensamento sobre inteligência artificial é sobre especialização e não criar uma máquina que saiba sobre qualquer assunto", opinou o líder da plataforma no Brasil. "Toda a indústria que gera informação, desestruturada, principalmente, o Watson consegue trazer valor".

E o Brasil está em uma posição vantajosa quando o assunto é tirar proveito das possibilidades da plataforma. O projeto encabeçado pelo Bradesco gerou interesse o suficiente na IBM para ensinar a ferramenta a falar nossa língua, o que já é uma vantagem para desenvolvedores locais que pretendem desenvolver apps com o serviço. E o banco não deverá ser o único a usar a plataforma por aqui: a IBM não abre detalhes, mas já há outros projetos brasileiros interessados no Watson em contato com a empresa em áreas como varejo e até governo. Além disso, o Brasil possui times nacionais de entrega e desenvolvimento da plataforma.

"Os clientes brasileiros hoje têm uma vantagem enorme no mundo em relação ao Watson. Espero que eles aproveitem essa vantagem", brincou Scopeta.

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